
Cartas de alunos do CEF Vila Areal transformam pedidos de Natal em gestos de solidariedade e empatia. (Foto: Instagram)
Uma mensagem escrita à mão e colocada em um envelope fechado traz mais do que a expectativa por um presente de Natal. No Centro de Ensino Fundamental (CEF) Vila Areal, no Areal (DF), a 1ª edição do projeto ‘Natal Solidário – Cartas Que Realizam Sonhos’ revelou a sensibilidade, a maturidade e a solidariedade dos jovens estudantes da rede pública.
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A iniciativa foi idealizada pela professora Ana Paula Martins Barbosa Carneiro, que leciona há 19 anos e teve a ideia a partir da convivência diária com a comunidade escolar.
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“Trabalhei muitos anos no Recanto das Emas e, em uma das escolas por onde passei, havia um projeto muito parecido. Há alguns anos, comecei a trabalhar no Areal e moro em Águas Claras. É uma comunidade tão próxima da gente, mas muito carente. No convívio com os alunos, vendo que eles têm pequenos sonhos que podemos realizar, lembrei daquele projeto e surgiu a ideia. O pessoal e os colegas de trabalho apoiaram a proposta imediatamente”, conta a professora.
Para atender cerca de 270 alunos do 6º e 7º ano do ensino fundamental, o projeto teve a participação das professoras de Língua Portuguesa Tayane Tássia Ribeiro Gomes e Andrea Lima dos Santos. Nas aulas, elas orientaram os estudantes sobre a escrita e a estrutura do gênero textual.
PEDIDOS DE AFETO E EMPATIA
Para que os padrinhos pudessem colaborar conforme suas condições financeiras, cada aluno escolheu três opções de presentes simples. As cartas foram colocadas em envelopes feitos pelos próprios estudantes, permitindo que o apadrinhamento acontecesse espontaneamente, muitas vezes com base apenas no nome da criança escrito do lado de fora.
“Pedimos que eles colocassem três opções nas cartinhas, para que quem fosse apadrinhar pudesse escolher algo que coubesse no orçamento”, explicou Ana Paula.
Durante a elaboração dos textos, a equipe pedagógica se surpreendeu com a profundidade das mensagens. Em vez de presentes materiais ou itens tecnológicos, vários estudantes fizeram pedidos relacionados ao apoio emocional e à comunidade.
Uma das cartas que mais comoveu a equipe foi escrita por uma aluna que não pediu nenhum bem material e falou sobre a dor de ter perdido a avó recentemente. Seu único pedido foi que o padrinho fizesse uma oração em memória dela.
“Ela perdeu a avó e queria muito que ela voltasse. Como isso não era possível, pediu que a pessoa fizesse uma oração pela avó”, relatou a professora.
Outros estudantes aproveitaram a oportunidade para pedir itens para familiares ou colegas de turma. Alguns solicitaram uma camiseta para o irmão ou uma chuteira para um colega que precisava do calçado.
“Recebemos pedidos de alunos que diziam: ‘Não quero nada para mim, mas meu irmão está precisando de uma camiseta’, ou falavam de um colega: ‘Não preciso de nada, mas meu colega precisa de uma chuteira, então dê a chuteira para ele’”, recordou Ana Paula.
A sensibilidade e a maturidade dos estudantes emocionaram os professores. “Há ali crianças de 12 ou 13 anos que passaram por experiências e situações que eu não vivi em 40 anos. Elas enfrentaram sofrimentos e perdas que eu e meus colegas nunca vivemos e talvez nunca venhamos a viver. Com isso, acabam amadurecendo muito cedo. É muito bonito e interessante ver essa preocupação e esse olhar para o outro.”
A participação dos alunos também surpreendeu os professores por se tratar de pré-adolescentes.
“Às vezes, pensamos que eles vão achar infantil ou que vão se considerar grandes demais, mas eles gostam. No fundo, queremos ser vistos, ouvidos e compreendidos. É uma oportunidade para a pessoa dizer o que deseja, expressar um sonho e ser escutada”, reflete Ana Paula.
O projeto começou na escola, mas ultrapassou os muros do CEF Vila Areal. Professores, servidores, familiares e grupos de amigos aderiram à iniciativa. A entrega dos presentes está prevista para o dia 7 de dezembro, em uma festa na própria escola, com música, a presença do Papai Noel e momentos de celebração.
“Às vezes, os sonhos das crianças são pequenos diante do que podemos oferecer. Se alguém conseguir proporcionar uma alegria, realizar um sonho ou mudar a vida de uma criança, isso pode fazer com que ela pense: ‘Caramba, às vezes as pessoas se lembram de mim, me escutam, posso ser diferente’. Pode ser um caminho, um incentivo e uma direção para que ela tenha um dia mais feliz”, concluiu.
COMO APADRINHAR
Qualquer pessoa pode participar da ação e escolher uma das cartinhas. Para isso, basta entrar em contato com a organização do projeto pela página do Instagram da professora Ana Paula (@anynnha).
Para que a equipe pedagógica organize a festa e a entrega aos estudantes, os presentes devem ser levados à escola até o dia 30 de novembro.
Tags: crianças e adolescentes, DF, escola pública, Natal, Presentes







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