
Pronunciamento de Lula deve destacar agradecimento aos eleitores, democracia e soberania, com imagens da campanha e mobilizações pelo país. (Foto: Instagram)
Quem acompanhou a live da vitória de Lula com André Janones, na quinta-feira, pôde ter uma boa ideia do que deve aparecer no pronunciamento já gravado pelo presidente, previsto para ir ao ar no domingo (8/11): um grande agradecimento ao eleitor. Lula deve falar bastante sobre democracia e soberania, em um formato diferente do habitual, alternando imagens do presidente com vídeos que circularam na internet durante a campanha. A linguagem é quase a mesma da live, repleta de memes e vídeos de apoiadores, adaptada ao tom mais sóbrio exigido por um pronunciamento oficial.
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A gratidão é o fio condutor da mensagem do início ao fim. Lula deve mostrar cenas das ruas de todo o país, com destaque para a mobilização de idosos e jovens, e a Paulista terá espaço de honra. No ato de encerramento da campanha, em 24 de outubro, apoiadores ocuparam os 14 quarteirões da avenida, entre as imediações da estação Brigadeiro e a Consolação. Sem conseguir avançar com o carro, Lula rompeu o protocolo e subiu no trio elétrico reservado à imprensa. Imagens feitas por drones naquele dia devem integrar o pronunciamento.
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Os temas que dão o tom à fala são os mesmos da campanha, como o fim da escala 6×1, o MEI, o Pé-de-Meia universitário e o compromisso de preservar os benefícios sociais.
Na área econômica, haverá pouco espaço. Lula vai mencionar as conquistas do governo, afirmar que o Brasil voltou ao grupo das dez maiores economias do mundo, com projeção do FMI de alcançar a oitava posição em 2027, e destacar que o país registra o menor desemprego da série histórica. Também reconhecerá a preocupação com o caminho da dívida pública, que acaba se refletindo em juros altos, e dirá apenas que adotará medidas para o Brasil continuar oferecendo benefícios sociais com responsabilidade fiscal.
A pelo menos um interlocutor próximo, o presidente disse ter estranhado que a imprensa tenha tratado seu primeiro pronunciamento após a reeleição como um aceno ao mercado. Ele não vê a fala dessa maneira. Para Lula, o aceno é dirigido ao povo brasileiro. Na live, já havia indicado como pretende agir daqui em diante: quer se comunicar mais diretamente com as pessoas e recorrer cada vez mais às próprias redes para anunciar decisões, sem depender de interpretações.
Isso não significa que o mercado ficará sem sinais; Lula pretende fazer justamente o contrário. Ele quer deixar como legado a recuperação do grau de investimento para atrair investidores estrangeiros, que, em sua avaliação, percebem com mais facilidade e rapidez o valor do Brasil na geopolítica atual, com suas riquezas em terras raras e meio ambiente, cada vez mais escassas no restante do mundo. Foi o que ele disse, em outras palavras, na quinta-feira (5/11), durante a primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, quando defendeu responsabilidade fiscal e uma economia organizada para atrair capital.
Os acenos a diferentes setores da economia virão, mas no momento escolhido pelo presidente, que já sabe quando será. Isso ocorrerá depois que houver um acordo efetivamente costurado entre os setores envolvidos, o Congresso e as pastas do governo. Entre as várias lições do terceiro mandato, uma das mais importantes foi perceber que a boa intenção dos técnicos pouco vale sem um entendimento com quem vai aprovar ou retaliar as medidas. Lula quer mudar a forma de governar, o que inclui conversar com o Congresso antes de apresentar propostas. Na avaliação dele, quando o diálogo acontece antes, o texto chega ao plenário como um projeto do Executivo e do Legislativo, e não como uma conta enviada pelo governo aos parlamentares.
A primeira dessas conversas deve ocorrer no caminho para a COP31, em Antália, na Turquia, para onde Lula deve viajar acompanhado de Hugo Motta e Davi Alcolumbre. O presidente quer aproveitar o trajeto para entender com eles o tamanho real da base e quais medidas podem ser aprovadas com seu apoio para organizar a casa até o fim do ano. As propostas concretas só serão avaliadas depois desse diagnóstico.
Até que a conversa aconteça, o Planalto pede paciência. Sem saber o que esperar do Congresso, Lula ainda não se debruçou sobre os estudos das pastas, e as ideias que surgirem antes disso não devem ser consideradas posições do governo, venham de onde vierem. O presidente percebeu que os parlamentares não gostam de encontrar nos jornais estudos que dependem de seus votos, uma lição que parte de seus técnicos ainda está aprendendo.
Na reunião sobre economia de quinta-feira (5/11), Lula pediu a ministros, secretários, ex-ministros e demais participantes que respeitem o tempo das negociações e evitem antecipar medidas ou lançar balões de ensaio na imprensa e nas redes. Para deixar claro quem fala pelo governo, afirmou que Dario Durigan será o único porta-voz das medidas econômicas. Isso seria óbvio, já que ele comanda a Fazenda, mas, em um governo em que muita gente costuma pensar em voz alta, foi preciso dizer o óbvio.
O próprio encontro foi convocado na noite em que o presidente fazia um check-up no Sírio-Libanês e leu no noticiário detalhes de medidas que ainda nem haviam chegado à sua mesa. Daqui em diante, Lula quer que as novidades passem primeiro por ele, depois pelo Congresso e só então cheguem ao público, de preferência pelas redes dele.
Tags: Lula, André Janones, Congresso, economia







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