Risco de Super El Niño Aumenta e Alerta é Emitido no Brasil

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Sol escaldante ilumina galhos secos, prenúncio do forte El Niño (Foto: Instagram)

O Brasil pode enfrentar um dos episódios de El Niño mais intensos do século nos próximos meses. Conforme o Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), a probabilidade do fenômeno alcançar a categoria "muito forte" entre outubro e dezembro é de 81%, sendo um dos mais intensos desde 1950.

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Além das previsões dos modelos climáticos, meteorologistas observaram um forte acoplamento entre a atmosfera e o Oceano Pacífico, aumentando as chances de que o El Niño continue ativo até o início de 2027.

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No Brasil, os efeitos já são visíveis e devem se intensificar no segundo semestre. A expectativa é que o país enfrente excesso de chuva no Centro-Sul e calor intenso, seca e queimadas no Centro-Norte.

Especialistas consultados pelo Metrópoles alertam que este evento pode ser diferente dos anteriores. Com os oceanos mais quentes, a atmosfera ganha mais energia e umidade, favorecendo fenômenos extremos.

“Pode ser um El Niño histórico, com intensidade nunca registrada. Mais temperatura significa mais energia na atmosfera, aumentando riscos de secas, ondas de calor recordes, chuvas intensas, enchentes, alagamentos e tempestades severas. Nunca lidamos com um El Niño da intensidade que os modelos estão indicando”, afirma Estael Sias, meteorologista da MetSul.

O QUE É O EL NIÑO?

  • O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
  • Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e modifica padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo.
  • No Brasil, normalmente provoca mais chuva na Região Sul e menos precipitação nas regiões Norte e Nordeste.

SUL PODE ENFRENTAR ENCHENTES E TEMPESTADES SEVERAS
A principal preocupação está no Sul do Brasil. A previsão é de chuva acima da média nos próximos meses, especialmente no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O excesso de precipitação aumenta o risco de enchentes, inundações, deslizamentos e alagamentos.

Estael indica que a primavera deve trazer mais tempestades severas, com vendavais e granizo. Fenômenos raros, como microexplosões atmosféricas e tornados, podem ocorrer no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo.

O primeiro boletim oficial sobre o El Niño 2026/2027, elaborado por órgãos como o Inpe, Inmet, Cemaden, ANA e Defesa Civil Nacional, também destaca que o aumento da umidade do solo pode deixar a região mais vulnerável a enchentes se ocorrerem chuvas intensas na primavera.

A lembrança das enchentes históricas de 2024 no Rio Grande do Sul reforça a preocupação dos especialistas.

Estael Sias explica que o cenário clássico do El Niño costuma impactar o Sul entre o fim do inverno e a primavera do primeiro ano do fenômeno e, depois, no outono do ano seguinte. Isso significa que novas ondas de chuva intensa podem ocorrer em 2027.

NORTE E NORDESTE TERÃO CALOR INTENSO E MENOS CHUVA
Enquanto o Sul enfrenta excesso de água, o Norte e o Nordeste devem viver o oposto. A previsão é de redução significativa das chuvas a partir de agosto e temperaturas acima da média durante quase todo o segundo semestre.

Ondas de calor podem ser persistentes de outubro a dezembro, com temperaturas próximas ou superiores a 40°C em várias áreas do Centro-Norte do país.

O boletim federal também prevê chuvas abaixo da média em grande parte do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, cenário que favorece queimadas, incêndios florestais e redução da disponibilidade de água.

O calor intenso e a falta de chuva criam condições propícias para incêndios florestais. Segundo o Cemaden, o trimestre entre julho e setembro deve concentrar o maior risco de fogo no Centro-Oeste e no arco sul da Amazônia.

As áreas mais vulneráveis incluem Mato Grosso, Rondônia, Acre, sul do Amazonas, sul do Pará e a região do Matopiba, formada por partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Nessas áreas, a combinação entre estiagem prolongada, altas temperaturas e vegetação seca aumenta o potencial de propagação das chamas.

AGRICULTURA TERÁ GANHOS EM ALGUMAS REGIÕES E PERDAS EM OUTRAS
Os impactos também devem atingir o campo, mas de maneiras diferentes conforme a região, segundo o Painel El Niño 2026-2027 do governo federal.

No Sul, o aumento das chuvas pode favorecer culturas de inverno, embora o excesso de umidade aumente doenças causadas por fungos.

No Centro-Oeste, o cenário tende a beneficiar a colheita do milho de segunda safra, do algodão e da cana-de-açúcar. Por outro lado, o calor pode reduzir a umidade do solo, prejudicar pastagens e dificultar a preparação da próxima safra.

Já no Sudeste, chuvas próximas da média devem favorecer culturas de inverno e a colheita do café, desde que as precipitações retornem após o período seco.

Os maiores desafios ficam para o Norte e o Nordeste. Nessas regiões, a combinação entre pouca chuva e temperaturas elevadas pode provocar deficiência hídrica, reduzir produtividade agrícola, afetar culturas permanentes, prejudicar a agricultura familiar e comprometer a pecuária pela diminuição das pastagens e da oferta de água.

DEFESA CIVIL PEDE PREPARAÇÃO
Diante das previsões, especialistas defendem que estados e municípios reforcem planos de contingência antes dos meses mais críticos.

O boletim federal recomenda a revisão dos planos de emergência, o fortalecimento dos sistemas de monitoramento e alerta e a preparação das comunidades mais vulneráveis a eventos extremos.

A orientação para a população é acompanhar avisos oficiais da Defesa Civil e manter cadastro atualizado para receber alertas.

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