Além do sal, açúcar também pode favorecer a pressão alta, alerta cardiologista

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Consumo frequente de bebidas açucaradas pode favorecer o ganho de peso e contribuir para o risco de hipertensão, alerta cardiologista. (Foto: Instagram)

Quando o assunto são ingredientes que podem elevar a pressão arterial, o sal costuma ser o primeiro “vilão” lembrado. O cardiologista Fabrício da Silva, porém, afirma que o consumo excessivo de açúcar também merece atenção, principalmente quando é frequente em bebidas adoçadas e se soma a outros fatores de risco para pressão alta.

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Para explicar como o açúcar pode se tornar um “inimigo silencioso”, o especialista considera o caso de quem costuma incluir bebidas adoçadas na rotina.

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“Pense em alguém que toma refrigerante no almoço e chá adoçado à tarde, todos os dias. Essas bebidas acrescentam calorias sem provocar a mesma saciedade de uma refeição. Com o tempo, isso pode contribuir para o ganho de peso, que é um fator de risco para hipertensão”, alerta o médico.

FRUTA INTEIRA X SUCO

Até a frutose, açúcar encontrado naturalmente nas frutas, faz parte da discussão. Fabrício destaca que a forma de consumo precisa ser considerada.

“Em um experimento com doses muito elevadas de frutose, por exemplo, o aumento do ácido úrico pareceu contribuir para a elevação da pressão. No cotidiano, porém, as evidências são mais consistentes em relação ao consumo frequente de bebidas açucaradas”, explica Fabrício da Silva.

Ainda assim, o cardiologista ressalta que pessoas com hipertensão não precisam evitar frutas. “Em geral, quem tem hipertensão pode comer a fruta inteira. Ao comer uma laranja, você também consome fibras e outros nutrientes. Para preparar um copo de suco, por outro lado, é fácil usar várias laranjas e bebê-lo em poucos minutos. Mesmo sem açúcar adicionado, o açúcar presente no suco entra na conta dos açúcares livres”, comenta.

SINAIS DE QUE O CONSUMO DE AÇÚCAR MERECE ATENÇÃO

Fabrício explica que, para avaliar o impacto da alimentação na pressão arterial, também é necessário levar em conta os hábitos cotidianos e, claro, os níveis de pressão ao longo do tempo.

Segundo o especialista, alguns fatores ligados ao consumo de açúcar podem sinalizar maior risco cardiovascular e merecem atenção: aumento da circunferência abdominal, resistência à insulina, diabetes e triglicerídeos elevados.

EXISTE UM LIMITE DIÁRIO?

O cardiologista Fabrício da Silva toma como referência a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda manter os açúcares livres abaixo de 10% das calorias consumidas ao longo do dia.

“Em uma alimentação de 2.000 calorias, isso corresponde a menos de 50 gramas. Reduzir a quantidade para cerca de 25 gramas pode trazer benefícios adicionais”, afirma o especialista.

Segundo ele, esse cálculo inclui o açúcar colocado no café, o que já está nos produtos, o mel e o açúcar dos sucos. “Já para o sal, a diretriz brasileira recomenda até cerca de 5 gramas por dia, incluindo também o que já está presente nos alimentos. Na prática, é possível começar com duas mudanças simples, como substituir o refrigerante do almoço por água e usar menos tempero pronto na comida”, indica.

ERROS COMUNS

Ao tentar diminuir o consumo de açúcar, algumas pessoas optam por alternativas consideradas mais saudáveis. É justamente nessas substituições que Fabrício da Silva aponta um erro comum: trocar o açúcar refinado por mel ou mascavo, mas conservar a mesma quantidade.

“Outro erro é tomar vários copos de suco integral ao longo do dia porque o rótulo informa ‘sem adição de açúcar’. O suco já tem o açúcar da própria fruta”, explica.

Fabrício também recomenda observar os alimentos e as bebidas que aparecem repetidamente na rotina. “Nesse caso, reduzir aos poucos o açúcar de cada café ou substituir uma bebida adoçada por água pode ser mais viável do que tentar mudar tudo de uma vez”, conclui.

Tags: açucar, Bem-Estar, dicas de alimentação, hipertensão, pressão alta, Qualidade de Vida, Saúde

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