
Ambipar enfrenta disputa judicial com fundo Opportunity nos EUA (Foto: Instagram)
A Ambipar e o Opportunity, de Daniel Dantas, estão em uma disputa judicial nos Estados Unidos, onde a reorganização sob o Chapter 11 de uma subsidiária da Ambipar, a Ambipar Emergency Response (AER), é analisada em paralelo à recuperação judicial do grupo no Brasil.
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De um lado, o Opportunity, um dos principais acionistas minoritários da AER com cerca de 24% das ações e uma cadeira no conselho, alega falta de transparência da Ambipar e que o processo nos EUA é uma tática para bloquear credores.
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Por outro lado, a Ambipar acusa a gestora de Dantas de tentar tumultuar o processo de recuperação judicial, afirmando que ele é um “litigante sofisticado” com histórico de disputas judiciais e que suas ações são “out-of-the-money”, ou seja, sem valor diante das dívidas prioritárias.
A Ambipar entrou em recuperação judicial no Brasil em 20 de outubro de 2025 após alegar risco às operações devido ao vencimento antecipado de dívidas que superaram R$ 10 bilhões, causado por uma chamada de margem de R$ 60 milhões feita pelo Deutsche Bank em contratos de derivativos.
Após isso, o fundo Everest FIP, do qual o Opportunity é cotista, começou a executar ações de propriedade de Tércio Borlenghi, sócio majoritário da Ambipar. O Bradesco, também credor, fez o mesmo. O empresário conseguiu que a Justiça impedisse essas vendas, associando-as à queda no valor das ações.
A disputa avançou para o processo de Chapter 11 no Tribunal de Falências do Distrito Sul do Texas, onde o Opportunity busca acesso a documentos que estão sob sigilo no Brasil, como relatórios financeiros e dados bancários da Ambipar.
O Opportunity afirma que a Ambipar não explicou o desaparecimento de R$ 4 bilhões em liquidez que constavam em balanços de junho de 2025, sugerindo risco de fraude ou apropriação indébita. A gestora alega que o processo nos EUA é uma manobra para prejudicar credores internacionais.
Enquanto o Opportunity busca documentos detalhados, a Ambipar alega que o Opportunity já tem acesso a informações privilegiadas e acusa Dantas de tentar obter provas para litígios no Brasil.
A Ambipar acusa o Opportunity de tentar interromper as negociações de reestruturação, que estão próximas de um acordo, e alega que Dantas não se importa em “destruir valor” da companhia, já que, como acionista “out-of-the-money”, ele não teria nada a recuperar financeiramente.
A Ambipar também menciona um histórico de “má conduta” de Dantas, incluindo uma condenação por tentativa de suborno em 2008, e afirma que ele pode usar informações confidenciais para prejudicar a empresa.
Na quarta-feira (8), a Ambipar anunciou um acordo com credores para reestruturar dívidas, mantendo Tércio Borlenghi e Thiago da Costa Silva em suas posições. Também foram alcançados termos para um financiamento com o Itaú BBA International.
Nesta sexta, o Valor divulgou que, no final do ano passado, dos R$ 2,5 bilhões em caixa da Ambipar, R$ 1,2 bilhão era de um fundo com um pré-precatório federal, e R$ 247 milhões eram investimentos em um banco em recuperação judicial. Caixa e investimentos em bancos de primeira linha totalizavam apenas R$ 295 milhões.
A Ambipar não quis comentar o assunto, e o Opportunity não respondeu aos pedidos de comentário.







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