
Atlas, o labrador em treinamento para cão-guia, pouco antes do acidente fatal causado pela ingestão da cica. (Foto: Instagram)
Um passeio rotineiro em um condomínio em Sorocaba, interior de São Paulo, resultou em uma tragédia que deixou tutores de animais de estimação em alerta em todo o Brasil. O labrador Atlas, com apenas 1 ano de idade, faleceu ao ingerir o fruto da Cycas revoluta, popularmente conhecida como cica, uma das plantas ornamentais mais perigosas para animais.
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O cão estava em fase final de treinamento para se tornar um cão-guia para pessoas com deficiência visual. Maria Júlia Cesarano, a tutora temporária, expressou sua tristeza pela perda devido ao desconhecimento do perigo. “Eu nunca soube que era uma planta tóxica”, lamenta.
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A fatalidade interrompeu um ciclo de solidariedade, já que os filhotes do programa social de formação de cães-guia vivem com famílias voluntárias para socialização antes do treinamento especializado. Maria preparou sua casa para receber o cão, mas não pôde prever o perigo nas áreas comuns.
Maria Júlia havia removido as plantas tóxicas de seu quintal, mas a cica permaneceu nas áreas comuns do condomínio. “Nunca imaginei que ela pudesse matar”, relembra a voluntária. O acidente aconteceu rapidamente enquanto o cão, ativo e explorador, caminhava pelo espaço.
Acostumado a passear com seu colete de identificação, Atlas encontrou a semente da cica no chão. Sem saber do perigo, a tutora não conseguiu evitar o contato a tempo. A semente alaranjada chamou a atenção do cão em formação.
A tutora pensou que fosse apenas mais um “coquinho”, como outros que nunca causaram problemas. No entanto, menos de uma hora após a ingestão, os sintomas graves de envenenamento começaram a aparecer. As toxinas atuam rapidamente, exigindo reação médica imediata.
Atlas apresentou vômitos intensos e foi levado a um hospital veterinário, onde recebeu atendimento de emergência. A equipe realizou lavagem gástrica e internação imediata. Durante cerca de 10 dias, os veterinários lutaram para reverter as lesões.
Apesar dos esforços, a intoxicação evoluiu gravemente, levando à morte do cão. A semente da cica pode causar lesão hepática aguda, diarreia, distúrbios de coagulação, convulsões e óbito. Maria Júlia lamenta a perda, pois Atlas estava pronto para o treinamento definitivo.
Especialistas destacam a importância de identificar e alertar sobre plantas tóxicas em áreas comuns para evitar novas fatalidades. Após o incidente, o condomínio decidiu remover todas as cicas das áreas comuns.
Defensores dos animais apontam que a informação correta é essencial para proteger os pets. O projeto Jardim do Bicho classifica a cica no nível máximo de risco, alertando sobre a toxicidade de plantas decorativas.
Simone Nascimento, coordenadora do projeto, afirma que a falta de informação é a maior barreira para evitar acidentes. “A maioria escolhe plantas pela beleza, sem saber da toxicidade. Casos como o do Atlas mostram que a falta de conhecimento pode ter consequências irreversíveis”, alerta.
Maria Júlia defende que avisos visuais poderiam evitar tragédias. “Uma simples placa talvez tivesse evitado essa fatalidade. Eu nunca tinha ouvido falar dos riscos da cica”, conclui, reforçando que a conscientização poderia ter salvado Atlas.







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