
Desvio do INSS bancou cirurgia plástica de esposa de dirigente da Conafer, aponta PF (Foto: Instagram)
A Polícia Federal (PF) revelou que parte dos recursos desviados de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi utilizada para pagar despesas pessoais de envolvidos no esquema investigado na Operação Sem Desconto.
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Entre os gastos identificados está uma cirurgia plástica no valor de R$ 27 mil, realizada por Bruna Braz de Souza Santos, esposa do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes.
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O relatório final do inquérito sobre o núcleo da Conafer indica que o procedimento foi pago pela empresa Santos Consultoria, que a investigação aponta como uma das pessoas jurídicas usadas para movimentar fundos do grupo. A PF afirma que essa empresa é controlada pelo operador financeiro Cícero Marcelino de Souza Santos.
As conclusões dos investigadores baseiam-se em mensagens encontradas nos celulares dos envolvidos. Em uma conversa de 16 de novembro de 2021, a secretária do médico responsável pela cirurgia envia informações sobre o procedimento a Bruna, que então encaminha um comprovante de pagamento de R$ 27 mil, supostamente quitado com dinheiro da Santos Consultoria.
Para a Polícia Federal, o caso integra um esquema maior de uso de empresas para custear despesas pessoais da família de Carlos Roberto Ferreira Lopes. O relatório aponta que valores obtidos por meio de descontos associativos irregulares eram distribuídos entre empresas ligadas aos operadores financeiros e usados para pagar gastos pessoais.
Além da Santos Consultoria, empresas como To Hire Cars, Solution, Impacto e MN Apoio Administrativo faziam parte da estrutura financeira utilizada pelo grupo, segundo a PF. Essas companhias operavam como um caixa compartilhado para cobrir despesas da família do presidente da Conafer.
A investigação também identificou pagamentos de boletos escolares, passagens aéreas, salários e a cirurgia plástica de Bruna. A quebra de sigilo bancário revelou que ela recebeu mais de R$ 1,75 milhão em repasses classificados como salários ou "mesadas", variando de R$ 50 mil a R$ 100 mil mensais, pagos por empresas ligadas ao operador financeiro Cícero Marcelino.
Para a PF, Bruna participou ativamente da lavagem de dinheiro ao administrar a Agropecuária Lagoa Alta e usar recursos de origem ilícita. Os elementos coletados indicam indícios de lavagem de dinheiro, sugerindo que recursos obtidos ilegalmente por meio de descontos em benefícios previdenciários foram usados para financiar despesas privadas dos investigados.
Carlos Roberto Ferreira Lopes, Bruna Braz de Souza Santos e Cícero Marcelino de Souza Santos estão entre os 48 indiciados no primeiro relatório conclusivo da Operação Sem Desconto, encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A Procuradoria-Geral da República (PGR) agora analisará o material para decidir se apresentará denúncia contra os investigados.







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