
Homem em terno e chapéu durante discurso em evento rural (Foto: Instagram)
A Polícia Federal (PF) concluiu a primeira fase da Operação Sem Desconto, revelando que Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), conhecido como “Mão Preta do INSS”, teria usado uma rede de empresas para ocultar dinheiro desviado de aposentados e pensionistas do INSS por meio de descontos associativos.
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O relatório, enviado ao ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (14/7), descreve uma organização criminosa que aplicava cobranças não autorizadas em benefícios previdenciários. A PF indica que o núcleo ligado à Conafer movimentou pelo menos R$ 708 milhões entre 2019 e 2024.
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As investigações apontam que Carlos Roberto liderava a operação, contando com a ajuda de operadores financeiros, empresários, dirigentes de entidades e agentes públicos para manter o esquema ativo.
O Metrópoles entrou em contato com a Conafer para comentar o inquérito da PF. Caso haja resposta, a reportagem será atualizada.
A investigação descobriu que a Conafer recebeu mais de R$ 700 milhões no período analisado. Desse montante, cerca de R$ 644 milhões (91% dos recursos) foram transferidos para empresas e pessoas do grupo investigado. Entre as empresas envolvidas está a Agropecuária e Mineração Lagoa Alta Ltda., usada para adquirir e manter propriedades, veículos e rebanhos.
A PF identificou dois núcleos principais que geriam as finanças do grupo. Um deles seria liderado por Cícero Marcelino de Souza Santos e sua esposa, Ingrid Pikinskeni Morais, com empresas ligadas ao casal recebendo mais de R$ 312 milhões. O outro núcleo teria Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior e sua irmã, Lucineide dos Santos Oliveira, como operadores.
O escândalo do INSS foi exposto pelo Metrópoles em uma série de reportagens desde dezembro de 2023, levando à abertura de inquérito pela PF e investigações pela Controladoria-Geral da União (CGU). A Operação Sem Desconto, iniciada em 23/4, resultou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
O primeiro inquérito da operação levou ao indiciamento de 48 pessoas por crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção. Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, todos presos preventivamente. Carlos Roberto Ferreira Lopes é considerado foragido.
A investigação revelou que Carlos Roberto, sua esposa Bruna Braz de Souza Santos, e Vinicius Ramos da Cruz usaram o esquema para adquirir fazendas e rebanhos através da Agropecuária e Mineração Lagoa Alta Ltda. A PF solicitou ao STF o bloqueio dos bens e a apreensão dos animais, localizados em propriedades nos municípios de Nova Módica, Itambacuri e Jequitinhonha.
Durante a operação, foram apreendidos cerca de 1.487 bovinos, 33 equinos, caminhões, carretas, uma caminhonete Trailblazer e documentos. O gado permanece sob a responsabilidade de depositários judiciais, devido à dificuldade de transporte imediato.
O ministro André Mendonça deverá encaminhar o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá sobre a denúncia contra os investigados.
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