Peptídeo da pele de rã pode aumentar a durabilidade de morangos

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Morangos Oso Grande ganham vida útil extra com peptídeo da rã do Cerrado (Foto: Instagram)

Peptídeos presentes na pele da rã do Cerrado conseguem prolongar a vida útil de morangos da variedade Oso Grande. Conforme estudo desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e publicado na revista Applied Food Research em junho deste ano, são necessários apenas cinco minutos de exposição à molécula para que a fruta obtenha o benefício.

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Com potencial para retardar a degradação e estender a vida útil dos morangos sob refrigeração, o peptídeo Ctx(Ile21)-Ha é uma molécula isolada da pele do anfíbio Boana albopunctata.

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Os pesquisadores destacaram que o tratamento pós-colheita com o peptídeo preservou a textura e as características da fruta madura. Em termos de sabor, não houve alterações significativas, pois a composição química dos morangos não foi alterada pela molécula.

“Somente o peptídeo, sem nenhum outro tipo de componente, manteve as características da fruta madura após cinco dias, o que, para um morango, é um tempo longo de armazenamento. Não esperávamos tanto”, afirmou Eduardo Festozo Vicente, coordenador do Laboratório de Equipamentos Multiusuários da Faculdade de Engenharia e Ciências (Lemu-FCE) da Unesp-Tupã, à Agência Fapesp.

Para os testes, os pesquisadores dividiram os morangos em dois grupos de 300 gramas: um foi imerso em água com os peptídeos por cinco minutos, enquanto o outro foi apenas em água. Após secarem, foram embalados em bandejas de PET cobertas com papel-filme e armazenados a 5 °C por seis dias. Durante cinco dias, os pesquisadores avaliaram os parâmetros físico-químicos e bioquímicos das frutas, conforme explicou a colaboradora do estudo, professora Angela Vacaro de Souza, também da FCE-Unesp. Como resultado, eles identificaram o aumento da durabilidade dos morangos.

O estudo indica que o peptídeo da pele da rã foi inicialmente isolado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) em 2006, que descobriram sua forte ação antimicrobiana como parte do sistema de defesa do anfíbio.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores enfatizam a necessidade de testes microbiológicos para verificar a ação antimicrobiana nos morangos, já que o estudo atual focou apenas nos parâmetros físico-químicos e bioquímicos.

Outro passo futuro é a regulamentação do Ctx(Ile21)-Ha no Brasil, pois a molécula ainda não possui registro. Para isso, a intenção é produzir a molécula em larga escala usando leveduras, segundo os autores do estudo.

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