A confirmação de que os Estados Unidos vão enviar agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) ao comando da segurança da delegação americana durante os Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026 desencadeou forte reação política na Itália, com críticas duras do prefeito de Milão, Giuseppe Sala, que questionou publicamente a iniciativa desde o anúncio oficial.
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O ICE é uma das principais agências do Departamento de Segurança Interna dos EUA, criada em 2003 após a reorganização das estruturas federais de segurança e frequentemente alvo de críticas por suas operações de imigração dentro dos Estados Unidos. As autoridades americanas afirmam que esses agentes farão parte de um contingente maior dedicado à segurança diplomática, bem como à mitigação de riscos relacionados a organizações criminosas transnacionais, sempre em coordenação com as autoridades italianas locais. A competição está marcada para começar em 6 de fevereiro de 2026.
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Para contextualizar, o Immigration and Customs Enforcement (ICE) surgiu como desdobramento do Homeland Security Act com o objetivo de consolidar investigações contra redes de tráfico de pessoas, drogas e outros crimes além da fiscalização migratória. A atuação da agência inclui investigações de contrabando, cooperação internacional e apoio a missões de segurança sensível, mas seu envolvimento em operações policiais no território estadunidense já gerou protestos e questionamentos sobre abusos de autoridade e violação de direitos civis.
A medida, entretanto, foi prontamente contestada pelo prefeito Giuseppe Sala, que definiu o ICE como “uma milícia que mata” e declarou que os agentes “não são bem-vindos” na cidade de Milão, onde ocorrerão a maioria das competições em pista de gelo. Segundo Sala, a presença de uma agência de segurança externa não se coaduna com os métodos democráticos e as tradições de policiamento suportadas pelo sistema italiano, capaz de garantir a proteção de atletas e autoridades estrangeiras sem auxílio de forças de fora.
Do lado do governo nacional, o ministro do Interior tentou abafar o mal-estar ao assegurar que os agentes do ICE não terão atribuições de controle migratório nas ruas nem exercerão funções típicas de policiamento local. Foi ressaltado que todas as atividades permanecerão sob a jurisdição plena das forças de segurança italianas, envolvendo órgãos como a Polizia di Stato e os Carabinieri. Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores apelou para que a resposta política e social à presença americana seja pautada pela moderação, destacando a necessidade de cooperação internacional em eventos de grande porte.
O debate acontece em um momento de crescente insatisfação pública com a imagem do Immigration and Customs Enforcement, especialmente após episódios recentes de violência policial em solo norte-americano que motivaram críticas tanto internamente quanto de parceiros estrangeiros. Observadores avaliam que a controvérsia poderá influenciar negociações futuras sobre protocolos de segurança em estádios e vilarejos olímpicos, assim como a definição das responsabilidades entre países anfitriões e delegações participantes.

