
Da Asa Sul a Aix-les-Bains: o breaking de Jeferson conquista a França (Foto: Instagram)
Guiado pela arte e determinação, o jovem brasiliense Jeferson Almeida Cardoso, de 18 anos, se prepara para levar o breaking da capital federal para a França. Morador da Casa de Ismael, na Asa Sul (DF), desde os 9 anos, Jeferson foi convidado a integrar um projeto internacional, levando seu talento para fora do país.
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Jeferson participará de oficinas artísticas, atividades de intercâmbio cultural e apresentações de hip hop na Europa. O convite veio da associação cultural francesa La Compagnie Caravelle, localizada em Aix-les-Bains, através da rede internacional Jovens, Desigualdades Sociais e Periferias. O professor Carlos Alexandre Borges foi quem selecionou Jeferson para fazer parte do grupo que viajará à França.
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Para Carlos Alexandre, a escolha de Jeferson se deu pelo comprometimento e evolução que ele demonstrou ao longo dos anos. “Decidi levá-lo porque seu compromisso, evolução e maturidade mostram que ele está pronto para aproveitar essa oportunidade ao máximo. Além disso, Jeferson não esquece suas origens e sabe onde quer chegar”, afirma o educador.
A experiência internacional terá duração de 10 dias, entre 20 e 30 deste mês, na região de La Ravoire, em Savoie. A programação inclui quatro dias de apresentações, um dia de descanso, seguidos de mais quatro dias dedicados à dança.
A VIDA DE JEFERSON
Atualmente, Jeferson trabalha como jovem aprendiz na Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb). Ele cresceu na Casa de Ismael, uma organização social que oferece acolhimento e educação para crianças em situação de vulnerabilidade. Jeferson chegou ao abrigo no dia em que completou 9 anos e viveu lá por quase uma década.
“A Casa de Ismael me ajudou muito, me deu várias oportunidades de aprendizado e me acolheu no momento que eu mais precisava”, lembra Jeferson, ressaltando a importância das mães sociais, da equipe técnica e do presidente da instituição em sua trajetória.
“O maior aprendizado que levo de lá é que a vida é feita de fases, tudo passa. Temos que aproveitar as chances que aparecem e acreditar em Deus sempre.”
O hip hop entrou em sua vida no abrigo, inicialmente como uma forma de ocupar a mente. Ao ver outras pessoas dançando, ele se interessou pelo breaking, modalidade que combina ritmo, conexão musical e movimentos intensos, trazendo autoconfiança.
O POTENCIAL REVELADO NA DANÇA
O talento de Jeferson foi percebido nas oficinas de breaking conduzidas por Carlos Alexandre. Desde o início, o jovem demonstrava entusiasmo, criatividade e vontade de aprender.
“Percebi o potencial do Jeferson durante as oficinas de breaking. A cultura hip hop é acolhedora e permite que cada um desenvolva seu estilo e se expresse, ressignificando sua realidade. Com uma prática pedagógica intencional, ficou claro que ele já tinha um potencial que a dança ajudou a revelar e desenvolver”, afirma o professor.
Além do aprendizado artístico, o projeto utiliza o movimento como ferramenta de formação cidadã. As atividades combinavam exercícios corporais, criação coletiva de coreografias e discussões sobre educação, mercado de trabalho, responsabilidade e autonomia.
Segundo Carlos Alexandre, cada participante criava suas próprias sequências de movimentos dentro de uma pedagogia inclusiva, que celebrava conquistas individuais e coletivas, reforçando a importância dos estudos e do amadurecimento pessoal.
EXPECTATIVAS PARA A VIAGEM E O FUTURO
Jeferson viaja com um grupo de dançarinos focado em performar na grande final do evento, que consistirá em cinco apresentações principais. “Significa muito para mim, porque muitas pessoas vão poder ver que a cultura é diferente, que o jeito de dançar é legal e traz uma energia boa. Quero aprender um pouco da língua francesa, conhecer a cultura deles e ver como ela realmente funciona”, projeta o dançarino.
A viagem coroa um período de intensas transformações na vida do jovem. Simultaneamente, ele está completando a maioridade, deixando o acolhimento institucional, dando os primeiros passos no mercado de trabalho e conquistando a própria independência.
“É uma sensação muito boa. Eu cheguei hoje onde estou com ajuda e com as minhas escolhas. A Anabb me fortaleceu muito, sou muito bem recebido e acolhido lá. A vida adulta começou e os desafios estão aparecendo, mas estou aí para fazer dar certo e batalhando sempre. Me preparei para essa fase e bora botar em prática, e, se Deus quiser, vou realizar todos os meus sonhos. Passei por muita coisa na vida mesmo sendo novo. Só acho que valeu a pena esperar até esse dia e aproveitar cada oportunidade”, conclui.
Para o professor Carlos Alexandre, a trajetória do aluno prova que a arte vai muito além da técnica. “A dança é uma forma de expressão, de construção da identidade e de transformação social. O hip hop e o breaking mostram que é possível desenvolver talentos, criar oportunidades e encontrar um espaço de pertencimento. Com dedicação, disciplina e persistência, cada jovem pode construir seu próprio caminho, usando a arte para mudar a própria realidade e a das pessoas ao seu redor.”







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