
Brasileiros divididos entre Messi e Yamal na final de 2026 (Foto: Instagram)
Com o Brasil fora da decisão da Copa do Mundo de 2026, muitos torcedores brasileiros perceberam que escolher entre Argentina e Espanha não é tão simples. A histórica rivalidade com os argentinos, os incidentes de racismo envolvendo Vinícius Júnior no futebol espanhol, a admiração por Lionel Messi e a identificação com jogadores da nova geração espanhola fizeram com que a decisão fosse além do futebol, transformando-se em um debate nas redes sociais.
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Entre memes sobre "torcer pelo empate", escolher "o menos pior" ou apenas assistir à final sem preferência, milhares de brasileiros começaram a justificar publicamente suas escolhas — ou a dificuldade de fazê-las.
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A discussão ganhou força após a atriz Carolina Dieckmann declarar apoio à Argentina durante a semifinal contra a Inglaterra. Sua manifestação dividiu opiniões e recebeu críticas de internautas que consideram impensável torcer pela maior rival do Brasil, mostrando como a decisão sobre quem apoiar se tornou quase uma declaração de princípios para alguns torcedores.
A dificuldade de escolher um lado é compreensível, segundo o psicólogo Luiz Wigderowitz. Quando o time com o qual há um vínculo emocional não está em campo, o cérebro busca uma nova referência para manter o envolvimento emocional com o jogo. Essa identificação pode surgir pela admiração por um jogador, pela história de uma seleção ou até pela rejeição ao adversário.
Damaris Florencia Coronel Romero, mestranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), acredita que as redes sociais transformaram essa escolha, que antes ficava restrita às conversas entre amigos, em uma discussão pública, onde a torcida também comunica identidade, valores e pertencimento.
A Argentina carrega décadas de rivalidade com o Brasil e episódios recentes de racismo envolvendo torcedores em competições sul-americanas. Ao mesmo tempo, Lionel Messi desperta admiração até entre brasileiros que nunca simpatizaram com a Albiceleste. Henrique Martins, de 25 anos, afirma que acompanha a seleção argentina desde a adolescência por causa do camisa 10.
Para Wigderowitz, esse conflito é comum. "Você pode admirar profundamente Messi e, ao mesmo tempo, sentir um incômodo visceral cada vez que a Argentina marca um gol. A saída que muitos encontram é torcer por Messi como indivíduo, e não pela Argentina como seleção."
Valentina Corullon, de 20 anos, diz que nunca teve dúvidas sobre para quem torcer. Filha de argentinos e com dupla nacionalidade, ela afirma que, nesta Copa, percebeu uma mudança na reação das pessoas.
Por outro lado, a Espanha também desperta sentimentos contraditórios. Para muitos brasileiros, a seleção é associada aos casos de racismo sofridos por Vinícius Júnior durante sua trajetória no futebol espanhol. Outros, no entanto, desenvolveram simpatia pela equipe por acompanharem a liga do país ou admirarem jogadores como Lamine Yamal.
Guilherme Monteiro, de 27 anos, afirma que a decisão de torcer pela Espanha foi natural. "Gosto muito do Barcelona, o Yamal é a principal estrela da seleção e meu maior ídolo no tênis sempre foi Rafael Nadal. Além disso, como todo bom brasileiro, não dá para torcer para a Argentina ganhar mais uma Copa."
Yuri Santos, de 33 anos, resume um sentimento compartilhado por muitos brasileiros. "Não tenho nada a favor da Espanha, mas tenho mil motivos para ser contra a Argentina. A verdade é que todo brasileiro que se preze torce para várias seleções: pelo Brasil e por todas as que jogam contra a Argentina. Não é porque fomos eliminados que vamos deixar de cumprir essa responsabilidade."






