Tarifaço de Trump impulsiona debate sobre política externa nas eleições em SP

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Donald Trump pressiona com tarifas, tema-chave nas eleições brasileiras (Foto: Instagram)

Desde abril de 2025, as tarifas impostas por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ao Brasil têm sido um tema central no debate eleitoral brasileiro. Em âmbito nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos pré-candidatos à Presidência, têm abordado questões internacionais em seus discursos, com o Departamento de Estado demonstrando apoio ao parlamentar.

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No cenário estadual, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), ambos concorrendo ao governo de São Paulo, acreditam que o tema pode conquistar eleitores. Segundo Felipe Soutello, estrategista político desde 1986, o foco na pauta internacional nas eleições deste ano é uma novidade no cenário político.

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Quando Tarcísio era cotado para a presidência, após usar um boné Maga para parabenizar Trump pela vitória nas eleições, ele apoiou o republicano, criticando as negociações do governo Lula com Washington. No entanto, posteriormente, ele alterou seu discurso para defender os interesses de São Paulo.

Antes disso, Tarcísio havia visto as tarifas como uma "oportunidade de negócio" para o Brasil em um evento do Bradesco. Ele se posicionou como negociador contra o anúncio de uma tarifa de 10% sobre produtos brasileiros, reunindo-se com Gabriel Escobar, encarregado de negócios dos EUA, em Brasília.

A mudança de postura veio no primeiro semestre deste ano, quando ficou claro que Tarcísio se concentraria no governo de São Paulo a partir de 2026. Haddad aproveitou para criticar Tarcísio, chamando-o de submisso a Trump, o que gerou uma resposta do governador pedindo para que o petista parasse de falar "bobagem".

Tarcísio questionou: "O que tem a ver o Estado de São Paulo com o Trump?", afirmando que São Paulo não faz política externa. Em junho, Tarcísio criticou o tarifaço, dizendo que "não faz sentido". Desde o anúncio da tarifa adicional em 15 de julho, o Palácio dos Bandeirantes tem se mantido em silêncio.

Soutello destaca que a posição anterior de Tarcísio é explorada pela oposição. Marina Silva, pré-candidata ao Senado, provocou Tarcísio sobre o uso do boné Maga, dizendo que ele deve explicar sua amizade com adversários do Brasil. Haddad, por sua vez, sugeriu que Tarcísio faça uma autocrítica em relação a Trump.

Um integrante da pré-campanha de Tarcísio afirmou que Haddad quer nacionalizar a campanha, algo que não deveria acontecer. Ele argumentou que o tarifaço e o apoio a Flávio Bolsonaro não têm conexão com Tarcísio.

Enquanto Flávio Bolsonaro pede a Trump para não taxar mais o Brasil, a maioria dos brasileiros acredita que uma reunião entre ele e Trump motivou o novo tarifaço, conforme pesquisa Genial/Quaest. Eduardo Bolsonaro comemorou as tarifas em julho de 2025, dizendo que "pelo menos estaria vingado" em caso de "terra arrasada".

Os apoiadores de Haddad defendem que a política externa deve ser discutida na campanha, já que São Paulo é o estado mais afetado pelo tarifaço. Eles citam um almoço com representantes da indústria sucroenergética, onde Haddad destacou seu papel na aprovação do Plano Brasil Soberano, que protege a economia brasileira de barreiras comerciais.

A Amcham Brasil aponta que o novo tarifaço impacta em US$ 11 bilhões as exportações industriais e do agronegócio, colocando o Brasil em condições restritivas para acessar o mercado dos EUA. As regiões de Sorocaba, Campinas, Franca, Birigui, Grande ABC e Vale do Paraíba em São Paulo serão as mais afetadas.

A ApexBrasil calcula que São Paulo pode perder US$ 3 bilhões devido ao tarifaço, segundo Laudemir Müller, presidente da entidade.