
Tenente Ronickson Pimentel, da Rota, vítima de atentado em São Caetano do Sul. (Foto: Instagram)
Integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) supostamente tinham um plano para invadir a Delegacia Sede de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, utilizando fuzis e veículos blindados. O objetivo seria resgatar três presos investigados por envolvimento no ataque ao tenente da Polícia Militar (PM) Ronickson Pimentel dos Santos, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), ocorrido em 27 de junho.
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As denúncias foram enviadas ao Disque Denúncia (181) e levadas a sério pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que solicitaram a remoção dos suspeitos da delegacia. De acordo com documentos obtidos pela reportagem, a articulação envolveria membros da "sintonia final de rua" da facção e líderes criminosos da zona leste da capital paulista e da favela de Heliópolis, na zona sul.
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O Metrópoles já havia reportado o alerta sobre a possível operação de resgate. Os documentos indicam que o risco persistiu por vários dias, enquanto decisões judiciais conflitantes atrasaram a remoção imediata dos presos.
PRESOS ESTARIAM COLABORANDO
Marcos Vinícius Dias Machado e Carlos Roberto Ferreira foram detidos sob suspeita de participação na logística do atentado. O terceiro preso é Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, investigado por tentar esconder a motocicleta usada no crime, em troca de R$ 100. O quarto suspeito detido é Luis Altino da Silva, conhecido como Chuck, de 42 anos.
Uma das denúncias afirma que Carlos e Marcos estariam colaborando com a polícia, o que levou a facção a considerar a possibilidade de assassiná-los ou retirá-los da delegacia à força. O denunciante também relatou que alguém ligado ao PCC visitou os presos e observou a estrutura interna da unidade.
Outro relato mencionou três veículos utilitários esportivos blindados e fuzis que seriam usados na suposta operação de resgate.
PEDIDO AUTORIZADO E DEPOIS NEGADO
Diante do risco, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) solicitou, em 6 de julho, a transferência de Marcos e Carlos para um Centro de Detenção Provisória (CDP).
Em 7 de julho, o juiz Pedro Corrêa Liao autorizou a remoção, considerando as denúncias sobre o possível uso de armas pesadas e veículos blindados, além do risco para os presos, policiais e a população.
O processo foi redistribuído, e no mesmo dia, o juiz Hélio Narvaez negou o pedido de transferência, alegando que presos temporários devem permanecer separados dos demais detentos.
Segundo o Gaeco e a Promotoria de São Caetano, a segunda decisão foi tomada sem considerar a autorização anterior.
NOVO ALERTA SOBRE RESGATE
Enquanto o impasse continuava, Luiz Henrique também foi levado à Delegacia Sede de São Caetano.
No dia 14, uma nova denúncia reforçou que o plano de resgate ainda estava em andamento. O MPSP expressou grande preocupação com a segurança da delegacia, dos agentes e dos presos.
No dia seguinte, o juiz Heitor Moreira de Oliveira reafirmou a primeira decisão e autorizou a transferência imediata dos três investigados para um CDP ou outra unidade adequada.
A nova ordem foi emitida nove dias após o primeiro pedido da Polícia Civil.
ATENTADO CONTRA TENENTE DA ROTA
Pimentel foi baleado na cabeça em 27 de junho, enquanto esperava a abertura do semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul.
De acordo com o DHPP, dois homens estavam na motocicleta usada no ataque. Um Renault Logan acompanhou a moto até seu abandono perto da favela de Heliópolis. Um Fiat Palio e um Chevrolet Astra, conduzidos por Marcos e Carlos, também teriam participado da ação coordenada.
O principal suspeito de efetuar os disparos, Hércules da Costa Siqueira, conhecido como Golias, estava foragido até a publicação desta reportagem. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) oferece uma recompensa de R$ 50 mil por informações sobre seu paradeiro.
A defesa de Carlos Roberto foi contatada pelo Metrópoles e afirmou que não comentaria o caso, que está sob sigilo. A reportagem não conseguiu localizar os advogados dos outros suspeitos, mas o espaço permanece aberto para manifestações.






