
Flávio Bolsonaro em evento do Partido Digital Bolsonarista (Foto: Instagram)
Desde 2013, Jair Bolsonaro desenvolveu um ecossistema digital bolsonarista, que ganhou força até 2018 e se consolidou durante seu mandato presidencial (2019-2023).
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Esse ecossistema deu origem ao Partido Digital Bolsonarista (PDB), um modelo de partido que opera no ambiente digital, sem ser uma plataforma tradicional. A internet é o próprio espaço do partido.
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A ideia do PDB foi desenvolvida em uma pesquisa de três anos no Cebrap/SP, publicada em 2026 no livro digital “Partido Digital Bolsonarista”, organizado por Marcos Nobre e Ana Claudia Teixeira.
O PDB é visto como uma inovação na política contemporânea, diferente do simples “Bolsonarismo”. É um fenômeno da extrema direita global, que pode redefinir a democracia moderna como um partido digital.
Atuando nas redes digitais, o PDB se diferencia dos partidos tradicionais. No Brasil, o PL serve como interface institucional do PDB, que possui uma ala majoritária dentro do partido.
O Partido Digital é uma atualização dos Partidos de Massas do Século XIX. No Século XX, esses partidos eram disruptivos na mobilização de massas. Agora, o Partido Digital moderniza essa ideia no Brasil, onde apenas o PT construiu um partido de massas analógico.
Esse processo representa uma transformação da democracia representativa. A democracia de massa pode estar ressurgindo após um longo período de democracia minimalista, onde o papel do cidadão era apenas eleger representantes.
O PDB atua de forma constante e coordenada, não apenas em tempos de eleição, mostrando uma coesão impressionante entre seu eleitorado, com uma agenda identitária e organização coletiva.
A escolha social é mediada por plataformas online que criam redes de lealdade entre diferentes níveis, tornando as fronteiras do partido digital difusas e em constante expansão.
O engajamento online de cada indivíduo determina seu pertencimento ao partido. O PDB resgata características dos partidos de massas, perdidas com a ascensão de partidos eleitorais.
O objetivo do PDB é o bolsonarismo, mas ele está se expandindo para outros grupos de direita, com redes de lealdade baseadas em engajamento prático e atuação institucional via PL e outros partidos do Centrão.
Com uma dinâmica de rede, o PDB está sempre em campanha, além dos ciclos eleitorais. Isso se reflete em formas de financiamento e influência que não se limitam aos canais formais.
Sem leis que exijam transparência de algoritmos ou controle financeiro virtual, o PDB mantém uma estrutura hierárquica e de financiamento fora do alcance do Estado. A campanha é contínua, com eventos públicos que mostram sua hierarquia e disciplina.
Em resumo, o PDB representa uma "mutação nas bases do governo representativo", além de uma simples adaptação tecnológica.
Essa tese é crucial para entender o momento político brasileiro e sustentar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
No entanto, as eleições presidenciais de 2026 são únicas, com alta indecisão (54%) e uma redução no ativismo digital e polarização nas redes.
Maria Cristina Fernandes destacou que Renato Dolci, da Timelens, calculou que apenas 27 milhões dos 168,7 milhões conectados falam sobre política, e apenas 8,7 milhões têm relevância.
Segundo Maria Cristina, "a direita predomina entre os perfis relevantes, mas são os extremos que geram mais menções", contestando a ideia de que o Brasil está polarizado. Apenas 1 milhão de extremistas digitais representam uma pequena fração dos eleitores.
Diante disso, o Partido Digital Bolsonarista pode continuar apoiando a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro?
Antônio Carlos de Medeiros é pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science.






