
Constituição em exibição cercada, simbolizando a democracia dos cemitérios. (Foto: Instagram)
Nos últimos anos, uma nova realidade tem se estabelecido no Brasil, que chamo de "democracia dos cemitérios". Essa forma de democracia é uma versão suavizada da "paz dos cemitérios".
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Nessa democracia, a oposição, a crítica e a denúncia não são completamente anuladas, mas não podem ameaçar o poder, os negócios e a riqueza ilegítima dos que controlam essa estrutura.
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É um simulacro de democracia, pois enterra de forma cínica o princípio fundamental da Constituição Federal que afirma que "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".
Na democracia dos cemitérios, o povo deve se comportar como uma massa de mortos-vivos, vagando sem rumo sob as ordens dos coveiros da vida democrática plena e necessariamente ativa.
Neste regime que se implanta, não há censura expressa, pois isso impediria o simulacro de democracia, mas existem "limites" às liberdades, sempre apresentados como constitucionais, embora sejam muito mais restritivos do que o previsto pelos legisladores.
Assim, apenas aqueles que "ultrapassam os limites" são punidos, e essa expressão é usada hipocritamente nos bastidores da democracia dos cemitérios para silenciar vozes incômodas cujo silenciamento explícito não seria bem visto.
A democracia dos cemitérios é uma versão suavizada da paz dos cemitérios, mas não por isso menos violenta, indigna e desprezível. Ela aponta para uma cleptocracia.


