A falta de limites de Trump e Milei: um mundo sem freios

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Ex-presidente americano em aperto de mão simbólico durante reunião formal (Foto: Instagram)

A deselegância tornou-se norma, o desrespeito é regra e a mentira, um estatuto. A inteligência artificial pode reunir tudo isso em um post descarado. Onde tudo começou? Como começou? Quem iniciou? Foi primeiro o ovo ou a galinha?

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Se foi o ovo, é como uma serpente que desgraçou o paraíso. Se foi a galinha, veio disfarçada como um galo da KFC, estilizado na cor laranja, conhecido como Mister Trump, que de mister não tem nem os pelos da púbis. Pois não é que esse galo desafiou o mundo? Até agora, sem resistência. Ou com resistências fracas, como quando Hitler anexou a Áustria e parte da Tchecoslováquia, em 11 e 13 de março de 1938.

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O mundo dito civilizado apenas observou, acreditando (?) que assim evitaria a guerra. Esse vacilo deu força à Alemanha, que invadiu a Polônia em 1º de setembro de 1939. Sou invencível, pensou Hitler. E quase foi. Qualquer pessoa nascida no século 20 e com um pouco de leitura conhece a história e suas consequências na História contemporânea.

A História não se repete como farsa. Embora Marx – conhecido principalmente como comunista – dissesse que sim. As histórias que fazem a História tendem a repetir tragédias, nada burlescas. Enquanto os civilizados seguem "observando" Trump e seus seguidores, muitas serpentes nada amigáveis emergem de ovos podres, cruzando fronteiras e desafiando adversários, sejam eles chefes de Estado ou representantes de cortes superiores.

Assim age Javier Milei, presidente da Argentina, que governa no estilo Trump, como se tudo fosse permitido pela licença de seu falecido cachorro, Conan – conselheiro que, acima de Deus, traça caminhos para suas performances pouco educadas, internas e externas. Cadê o freio?

Milei não é palhaço. Trump não é louco. Nenhum deles tem pinos faltando na cabeça. Ambos (e outros como eles) têm propósito, objetivo e método. Embora caricatos, não são caricaturas. São de carne, ossos e ousadia para desafiar limites e, assim, ultrapassá-los – com ou sem bombas, drones e mísseis.

O mundo que planejam não tem nada do que agora – e ainda – experimentamos como: considerar, prezar e honrar. O mundo que projetam não tem os freios dos organismos internacionais, criados no pós-guerra, para impedir barbaridades. Eles pretendem rearranjar acordos de convivência social ao seu bel prazer, à sua força, ao seu mando. Enquanto os civilizados seguem "observando", Trump e os seus avançam sobre nós. Sem freios.

Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas, oh, não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa, sem nada

Poema “Rosa de Hiroshima”, de Vinicius de Moraes. Referência às duas bombas atômicas lançadas sobre o Japão, em agosto de 1945. Destruíram as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Em segundos, mataram, feriram e mutilaram mais de 200 mil pessoas. O (des)propósito era pôr fim à 2ª Guerra. O poema foi escrito em 1946, como um manifesto pacifista do pós-guerra. Foi publicado em 1954 e musicado nos anos 70, do século passado.

Bom relembrar. Agosto tá logo ali.