Flávio Bolsonaro e a Polêmica de Suas Declarações: Defesa Cita Liberdade de Expressão

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Flávio Bolsonaro reclama de censura e Lula devolve críticas de “traidor” (Foto: Instagram)

A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que ele estava apenas exercendo sua liberdade de expressão ao afirmar, em janeiro, que Lula reuniu ministros para discutir o sequestro de Maduro por medo. Ele declarou: "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas". Lula, por outro lado, afirma que quem colabora com Trump contra o Brasil é um traidor da pátria, lembrando que, historicamente, traidores foram enforcados. Joaquim Silvério dos Reis, no entanto, não foi enforcado; viveu bem em Portugal após trair os inconfidentes. Flávio se diz ameaçado, mas não há pena de morte no Brasil, exceto nos complexos do Alemão e da Penha, que ele apoia. Flávio, fique tranquilo: você está mais próximo de Joaquim Silvério, que traiu o Brasil, do que de Tiradentes, que foi enforcado e esquartejado.

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Cecília Meireles escreveu sobre traidores em “Romanceiro da Inconfidência”:

"Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério!
Pois ele encontra remorso,
coisa que não te acomete.
Ele topa uma figueira,
tu calmamente envelheces,
orgulhoso e impenitente,
com teus sombrios mistérios.
(Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens,
e a surda força dos vermes.)"

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Para quem não entendeu, Judas "topou a figueira" refere-se ao seu suicídio após a traição, mencionado em "Mateus" e "Atos dos Apóstolos". Silvérios, ao contrário, prosperam com suas traições. Ambos os casos mencionam "o campo de sangue", comprado com as 30 moedas. Em "Mateus", a palavra "Haceldama" (aramaico) é traduzida, e este é também o título de um poema de Mário Faustino, tio-avô do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que será mencionado mais adiante.

Quer um trecho de "Haceldama" de Faustino?

"Porque só por um beijo em seu rosto sem manchas/
Fiz de um saco de prata meu campo de sangue./
Meu desespero é brejo onde os restos borbulham
Do prodígio que fui de penumbra e silêncio".

Quem escreve isso merece a eternidade. Faustino faleceu aos 32 anos, em 1962, num acidente aéreo. "Morre cedo o que os deuses amam", ele escreveu. Continuemos.

Talvez alguns conheçam a máxima sobre o que é ou não notícia: "Notícia é quando o homem morde o cachorro". Recentemente, André Mendonça autorizou a Polícia Federal a usar cooperação jurídica internacional na investigação sobre o Banco Master, com aval da PGR. Por que não autorizaria? É parte do "Mutual Legal Assistance Treaty (MLAT)", acordos firmados pelo Brasil. A ideia de leniência com o crime favorece apenas a delinquência política.

Notícia mesmo será quando a dupla que recebeu a maior soma do Banco Master for investigada como os senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner (PT-BA). Investigue-se. A dupla que recebeu R$ 62 milhões é Flávio e Eduardo Bolsonaro. Um solicitou o dinheiro, e o outro é gestor do fundo que o recebeu e, em tese, repassou para Karina da Gama, empresária que pediu uma casa a Ricardo Nunes, destinada a carentes em São Paulo.

Por enquanto, PP, União Brasil, MDB, Podemos e Republicanos permanecem neutros nas eleições. Não apoiam formalmente nenhum candidato. Essa neutralidade pode ser vista como um mal menor. Católicos apreciam tais nuances, mas isso não significa que não seja um mal. Somadas, essas legendas têm 205 deputados (40% da Câmara) e 31 senadores (38% do Senado). O que explica isso? As emendas parlamentares. Se o mal maior é dar mais visibilidade à candidatura de Flávio, que ameaçou o STF com uso da força, o mal estrutural são as emendas. Parafraseando Auguste de Saint-Hilaire: "Ou o Brasil acaba com as emendas, ou as emendas acabam com o Brasil". É complexo assim.