Pedro Costa analisa disputa entre democracia e fascismo nas eleições brasileiras

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Urna eletrônica em exposição no Tribunal Superior Eleitoral (Foto: Instagram)

Chegou novamente o período eleitoral. No Brasil, o voto e as eleições são temas delicados. Apesar de muitas reformas e contestações, a essência permanece. A ampliação do eleitorado quase alcançou a universalidade, exceto para menores de 16 anos e conscritos. No que diz respeito ao sigilo e confiança nos resultados, temos um modelo exemplar.

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O problema não reside no eleitor nem na justiça eleitoral, mas sim nas influências do dinheiro e do medo, que agora se concentram nas grandes cidades. O parlamento, por sua vez, impõe regras lenientes, frequentemente cassando mandatos após seu término, como no caso do ex-governador do Rio de Janeiro. A culpa, no entanto, não é dos tribunais eleitorais.

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A verdadeira responsabilidade recai sobre os piores parlamentos da nossa história, não no sentido institucional, mas como conjunto de parlamentares. A desilusão das pessoas não está apenas na desconfiança dos políticos, mas na evidente corrupção que se desenrola diante de todos.

Como estudioso de história, observo nossos parlamentares desde os primeiros dias de constituição. A proporção de políticos desonestos nunca foi tão alta. A política atual, com malas de dinheiro e corrupção, segue a metodologia bolsonariana de cédulas vivas, algo que as autoridades estão cada vez mais atentas.

Durante o Império, a preocupação era garantir a verdade do voto, mesmo que a participação real fosse mínima. Na República, líderes como Campos Salles asseguravam votos convenientes, resultando em eleições presidenciais majoritárias. Mesmo com erros, figuras como Pinheiro Machado garantiam a integridade dos votos.

Com o "Pai dos Pobres", o cenário mudou. Eleições foram organizadas de acordo com modelos propostos há décadas, mas não para serem aplicadas. A ideia de que eleições custam caro e deveriam ser unificadas é um mito. Na verdade, o custo está no dinheiro necessário para comprar votos e garantir reservas para corrupção.

Talvez unificar as eleições seja uma boa ideia, mas é importante lembrar que o constituinte de 1988 proibiu emendas que aboliriam eleições periódicas. Contudo, ele não definiu sua frequência, permitindo que ocorram em longos intervalos. Juristas americanos estão atentos a essas nuances, enquanto figuras políticas como Milei buscam influências.

A competição entre figuras como tariflávio e outros não me preocupa. O Presidente Lula tem expertise em vencer eleições presidenciais, o que me tranquiliza. A verdadeira disputa é entre democracia e fascismo, e o que me preocupa são os parlamentares. Apesar de algumas exceções, a maioria não valoriza justiça social e ética.

Precisamos encontrar uma saída para esse labirinto político e escapar do Minotauro. Sonhar com um parlamento melhor é possível, pois Deus é grande e brasileiro.

Pedro Costa, arquiteto e escritor.