
Nuvens refletidas em represa denunciam a escassez de um recurso finito (Foto: Instagram)
Adam Przeworski definiu o "erro" nas Ciências Sociais como uma relação entre os objetivos desejados, as decisões tomadas para alcançá-los e as condições externas que podem ou não permitir que esses objetivos sejam atingidos. Se nosso objetivo é aumentar o PIB, estamos no caminho certo. Porém, se o objetivo é a sobrevivência, estamos falhando gravemente.
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O planeta é pequeno, com apenas 10 km de ar, 75% concentrados nesses primeiros 10 km, o restante disperso, totalizando 40 km. A água é finita, com o consumo por habitante quadruplicando no último século. Temos reservas de petróleo para apenas 150 a 300 anos. Enchemos nossa atmosfera de CO2, levando o planeta a temperaturas de 1 milhão de anos atrás. As previsões atuais indicam que a temperatura poderá aumentar até 2º C até o final do século.
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Por que a crise ecológica não pode ser controlada? Porque, mesmo que decisões sejam tomadas para resolver o problema, elas encontram países e atores econômicos em diferentes níveis de capitalização e liquidez, com a competição pela sobrevivência imediata desestruturando a possibilidade de ação coletiva racional, segundo a Teoria dos Jogos. O "Overshoot Day" de 2026, o dia em que a Terra já forneceu tudo que pode até o final do ano, foi ontem, 30 de julho. As futuras gerações arcarão com o ônus.
O ser humano é imediatista, sem visão de futuro. O que importa é o lucro do capital. A elite acredita que sobreviverá. Esquece que a sobrevivência da elite, como a de todos nós, depende de sociedades numerosas e economicamente organizadas para a produção e consumo de bens. Todos vamos afundar. Ou navegar, como na "Nau dos Insensatos", na pintura de Jeroen Bosch.
E "Assim caminha a humanidade", de George Stevens, com William Holden, Elizabeth Taylor e James Dean. Do petróleo à futura escassez de água.
O desastre não será exponencial, mas logarítmico. É possível que cheguemos a um patamar de horrores, como no filme "A máquina do tempo", de George Pal, de 1960.
Ode à irracionalidade.
Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”.






