
Modelo anatômico do coração destaca riscos dos anabolizantes ao órgão. (Foto: Instagram)
O uso de esteroides anabolizantes está se tornando cada vez mais frequente entre frequentadores de academias. Os efeitos dessas substâncias vão além do aumento de massa muscular: incluem alterações hormonais, danos ao fígado e problemas cardiovasculares.
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No coração, o uso prolongado de anabolizantes pode levar a um crescimento anormal do músculo cardíaco, elevando o risco de arritmias, insuficiência cardíaca, infarto e morte súbita.
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Estudos recentes trazem evidências desses efeitos. Uma pesquisa de 2025 no European Heart Journal analisou mais de 20 mil fisiculturistas por 16 anos, revelando uma taxa de morte súbita cardíaca cinco vezes maior entre atletas profissionais.
No Mr. Olympia, principal competição de fisiculturismo, foram registradas sete mortes a cada 100 atletas, com idade média de 36 anos.
Outro estudo, na revista Circulation, acompanhou por 11 anos 1.189 homens que usavam anabolizantes e comparou com quase 60 mil da população geral. Os usuários mostraram risco quase nove vezes maior de cardiomiopatia e três vezes maior de infarto.
O cardiologista Eduardo Lima, do Hospital Nove de Julho, explica que o aumento do músculo cardíaco, chamado de hipertrofia miocárdica, ocorre quando o coração se adapta a situações de estresse, como hipertensão.
Nos fisiculturistas que usam anabolizantes, esse crescimento pode ser exagerado e prejudicar o funcionamento do coração.
O cardiologista Carlos Nascimento, do Hospital Brasília Águas Claras, diferencia o "coração de atleta" do coração afetado por anabolizantes. O primeiro é uma adaptação ao exercício, enquanto o segundo pode ter espessamento do músculo e fibrose.
O diagnóstico depende da história clínica, tipo de treinamento, uso de substâncias e exames como eletrocardiograma e ecocardiograma.
Os anabolizantes, além de estimular o crescimento do músculo cardíaco, alteram fatores importantes para a saúde cardiovascular. Eles aumentam a pressão arterial, pioram o colesterol e aceleram a aterosclerose.
Nascimento destaca que, com o tempo, isso pode levar a hipertrofia cardíaca, insuficiência cardíaca, infarto e arritmias graves. Algumas alterações podem regredir com a interrupção do uso, mas danos estruturais podem ser permanentes.
O cardiologista Eugênio Moraes, do Hospital Sírio-Libanês, alerta que o crescimento anormal do músculo cardíaco pode evoluir para doenças cardíacas.
As cicatrizes no músculo podem causar arritmias ventriculares, que são perigosas. Além disso, o coração pode perder a capacidade de bombear sangue, levando à insuficiência cardíaca.
Moraes explica que alterações podem ser silenciosas ou causar sintomas como palpitações, dor no peito e desmaios. O uso de anabolizantes aumenta o risco de placas nas artérias, favorecendo infartos.
Exames como eletrocardiograma e ecocardiograma ajudam a identificar alterações precocemente. Muitas pessoas usam anabolizantes sem acompanhamento médico, mas hoje há ferramentas para detectar problemas antes de complicações graves.






