
Jessika Lorrane Bastos de Castro, advogada e apontada como terceira envolvida no desvio de R$ 75 milhões da Zema Financeira (Foto: Instagram)
O proprietário da fintech Naskar, Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, utilizou a namorada, o cunhado e a avó para arquitetar um suposto golpe que desviou R$ 75 milhões da Zema Financeira, entre novembro e dezembro de 2025. A instituição financeira pertence à família do ex-governador de Minas Gerais e candidato à presidência, Romeu Zema (Novo).
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Douglas Azara organizou a logística do ataque cibernético com a ajuda da companheira, a advogada Jessika Lorrane Bastos de Castro, de 35 anos, e do cunhado, Maycon Douglas Bastos de Castro. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) conduziu a investigação e solicitou a prisão preventiva do trio e de outros envolvidos. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decretou a prisão preventiva, mas Douglas continua foragido.
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Conforme reportado pelo Metrópoles, Douglas Azara encontra-se em Dubai, nos Emirados Árabes, exibindo carros de luxo e zombando dos 3 mil clientes da fintech Naskar, que esperam o ressarcimento de R$ 900 milhões.
A advogada Jessika Lorrane, inscrita na Seccional da OAB em Anápolis (GO), foi identificada como a responsável pelo suporte logístico e operacional do grupo que fraudou a Zema Financeira.
Na residência do casal, localizada em um condomínio fechado em Anápolis (GO), funcionava o "quartel-general" da invasão hacker. A Polícia Civil mineira comprovou, através de cruzamento de dados de IP, que as conexões usadas para ordenar os saques e pagamentos fraudulentos partiam da casa do casal.
Além de abrigar a infraestrutura do ataque, Jessika cedeu suas contas bancárias e uma empresa individual para facilitar o fluxo de dinheiro ilícito. Atualmente, a advogada também é considerada foragida, com mandado de prisão preventiva em aberto. A inscrição da OAB de Jessika permanece ativa.
A OAB-GO foi contatada para comentar o caso. Caso haja retorno, a reportagem será atualizada.
Para evitar que o endereço principal das operações ficasse em nome de Douglas ou de sua empresa, o empresário recorreu ao cunhado. Maycon, sócio da Mayconst Ltda., assinou o contrato de locação do imóvel residencial em Anápolis (GO) em nome de sua pessoa jurídica. Essa manobra visava proteger o verdadeiro líder do esquema de ordens judiciais ou rastreamentos policiais.
Maycon e Marllon Henrique Castro Silva, apontado como diretor de TI do grupo criminoso, foram presos pela Polícia Civil de Goiás no dia 23 de junho, em cumprimento a mandado de prisão expedido pelo TJMG.
O envolvimento dos parentes próximos não se limitou à companheira e ao cunhado de Douglas. A estratégia atingiu o extremo ao envolver a avó materna do empresário, Célia de Fátima Ferreira, de 77 anos, diagnosticada com Alzheimer. Sob o controle de Douglas, o nome da idosa foi usado para movimentar mais de R$ 1,5 milhão em boletos fraudulentos.
A Zema Financeira, com sede em Araxá (MG), foi alvo de um ataque cibernético que desviou cerca de R$ 75 milhões. A maior parte do prejuízo foi parar na conta da empresa Jabuti Capital, de propriedade de Douglas Azara.
O golpe foi viabilizado pelo uso indevido de uma credencial da Stefanini Consultoria, contratada para desenvolver o aplicativo da Zema Financeira. O grupo conseguiu acessar diretamente as chaves de pagamento da instituição, quitando boletos falsos e realizando transferências milionárias.
Diante da gravidade do caso, o juiz Leonardo Antônio Bolina Filgueiras decretou a prisão preventiva de Douglas Azara e outros quatro investigados. Douglas, entretanto, viajou para Dubai em julho e permanece com mandado de prisão em aberto.
Erika Batista Santos aparece nos registros como pagadora de 146 boletos, totalizando R$ 730 mil, direcionados à empresa de Douglas. Ela já havia registrado uma ocorrência policial alegando ter sido vítima de estelionato por parte do empresário.
Confira a participação de cada investigado:
- Marllon Henrique Castro Silva: Diretor de tecnologia do Banco Phoenix, gerenciava a estrutura de TI do grupo para executar as invasões.
- Célia de Fátima Ferreira: Avó de Douglas, teve contas usadas para movimentação dos recursos desviados.
- Jessika Lorrane Bastos de Castro: Advogada e companheira de Douglas, prestava apoio logístico e operacional.
- Maycon Douglas Bastos de Castro: Cunhado de Douglas, atuava na ocultação patrimonial.
- Scarlet Cristine Rodrigues Félix: Sócia da Ajuda Solidária Brasil Ltda., fornecia apoio logístico e lavagem de capitais.
- Erika Batista Santos: Registrada como pagadora de boletos direcionados à empresa de Douglas.
Douglas Azara alega não ter ligação com o crime, afirmando que sua plataforma bancária foi utilizada sem seu envolvimento. A defesa de Marllon Henrique Castro e Silva afirma que ele não participou dos fatos. A OAB-GO foi contatada para comentar sobre Jessika Lorrane Bastos de Castro.
A Zema Consultoria respondeu por meio de nota, afirmando que acompanha a apuração do crime cibernético e confia no trabalho das autoridades.






