Fugas em presídios de Minas Gerais expõem problemas estruturais e falta de servidores

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Policial penal reforça segurança em presídio de Minas após duas fugas em três dias (Foto: Instagram)

Belo Horizonte – Em um intervalo de apenas três dias, duas fugas em presídios de Minas Gerais deixaram nove detentos foragidos, destacando a fragilidade do sistema prisional do estado. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) está investigando como as fugas ocorreram, enquanto a Polícia Penal aponta problemas estruturais antigos, como a falta de servidores, manutenção inadequada e equipamentos obsoletos.

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A primeira fuga aconteceu na madrugada de segunda-feira (27/7), no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte. Sete presos escaparam após abrir um buraco em uma cela e pular o muro da unidade. Até agora, quatro foram recapturados, mas Luiz Fernando Freitas Pereira, Saymon Patric Gomes Silva e Bruno Gustavo Gomes da Paixão continuam foragidos.

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Três dias depois, na quinta-feira (30/7), outra fuga ocorreu no Presídio de Passos, no Sul de Minas. Durante uma conferência de rotina, foi constatado que o cadeado de uma cela havia sido rompido, permitindo a fuga de seis presos. Os fugitivos, ainda não recapturados, são Diogo Henrique da Cruz Fabiano, Júlio Arnaldo Toledo, Leonardo Willians Silva Pereira, Marcos Túlio Cruz Fabiano, Matheus Loiola Divino e Wagner Santos de Lima.

Para Wladimir Dantas, vice-presidente do Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindppen-MG), essas fugas não são casos isolados. Ele afirma que o sistema prisional do estado está sucateado, comprometendo a segurança das unidades. Dantas menciona que os cadeados e equipamentos são antigos e que há falta de manutenção, especialmente no Ceresp Gameleira.

A Sejusp discorda dessa visão, destacando que em 2024 houve uma reforma no Ceresp Gameleira, aumentando sua capacidade de vagas em 93,69%, de 412 para 798 vagas. No entanto, o déficit de servidores continua sendo um problema. Minas Gerais conta com pouco mais de 16 mil policiais penais para 168 unidades prisionais, quando o ideal seria entre 25 mil e 30 mil servidores.

Dantas também aponta que a Polícia Penal assumiu a gestão das unidades em 2004, quando havia cerca de 20 mil presos. Hoje, são mais de 80 mil, com picos de até 120 mil, devido à reincidência criminal. A Sejusp-MG administra atualmente 166 unidades prisionais, com cerca de 72 mil presos e aproximadamente 42.500 vagas disponíveis.

A Secretaria informou que reforçou o efetivo com a posse de cerca de 3,4 mil policiais penais em 2024 e que há um concurso em andamento para mais 1.178 vagas. Além disso, Dantas ressalta que os policiais penais trabalham com equipamentos defasados, como coletes balísticos vencidos e armamentos antigos, o que impacta a segurança.

A sobrecarga de trabalho também tem afetado a saúde dos servidores, com mais de 85% enfrentando problemas de saúde, principalmente relacionados ao desgaste psicológico. Dantas defende a valorização da categoria, destacando que as perdas salariais acumuladas superam 40%, apesar de um reajuste de 5% neste ano.

A Sejusp informou que está conduzindo investigações sobre as fugas em BH e Passos, com o Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) à frente. As buscas pelos nove detentos foragidos continuam, e a população pode ajudar com informações através do Disque Denúncia 181.

Por fim, o Governo de Minas está entregando cerca de 2.700 vagas em presídios e penitenciárias, com novas unidades e ampliações em andamento. Recentemente, foram inaugurados o Presídio de Frutal e o anexo do Presídio de Alfenas, entre outros, totalizando mais de R$ 16 milhões em investimentos.