
Comemoração e controvérsia: Senado derruba veto ao PL da Dosimetria (Foto: Instagram)
Vi com preocupação a decisão do Senado, liderado por David Alcolumbre, de derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria. Essa medida, na prática, facilita a punição para os responsáveis pelo 8 de janeiro, que tentaram um golpe de Estado e a abolição do estado de direito.
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Senti o voto dos 49 senadores que apoiaram os golpistas como um golpe no estômago, uma sensação de impotência e violação, comparável a um assalto onde algo valioso nos é arrancado.
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Nunca havia sentido isso em relação ao meu voto. Compareço às urnas regularmente, como a maioria dos brasileiros, e nunca votei nulo ou branco. Contudo, nunca tinha a sensação de que meu voto estava sendo roubado.
Ouvi e li sobre a ditadura e o roubo de votos naquela época, mas viver isso é diferente. Após assistir à destruição da Praça dos Três Poderes, senti a perda do meu direito de voto, algo que sempre carrego comigo junto à oração de São Francisco.
A vítima de assalto é muitas vezes vista como ingênua. Ao fazer um boletim de ocorrência, sinto que o policial me considera assim. Nosso infortúnio parece trivial frente aos outros casos.
Sinto-me ingênuo em relação ao meu voto. Sei que ele não vale muito e que não resolve muito por si só. Não acompanho de perto o que acontece em Brasília ou São Paulo, e acabo sendo governado pelos piores.
Agora vejo, com consternação, o apoio a quem tentou roubar meu voto. À luz do dia, defendendo a anistia ou "dosimetria", o que é o mesmo: Sergio Moro, Espiridião Amim, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Flávio Bolsonaro. Pedem votos para depois incentivar o furto.
Entre eles, me identifico com Flávio Bolsonaro. Em uma tentativa de assalto no Rio de Janeiro, ele reagiu e disparou contra os assaltantes. Como ele, não gosto de ser roubado.
A mesma indignação e coragem, porém, Bolsonaro não demonstra contra os ladrões de votos. Ao contrário, ele apoia aqueles que tentaram destituir nosso direito de votar. Deveríamos andar armados para defender nosso voto? Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.


