Abstinência de nicotina pode causar prisão de ventre em quem para de fumar

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Prisão de ventre ao abandonar o cigarro é comum e temporária (Foto: Instagram)

Parar de fumar é uma decisão crucial para a saúde. Contudo, abandonar o vício não é simples e a ausência de nicotina pode afetar o corpo de diversas maneiras. Cerca de 30% das pessoas que tentam parar de fumar enfrentam prisão de ventre durante o primeiro mês sem o estímulo contínuo da nicotina.

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O intestino e o pulmão não têm comunicação direta, mas a constipação está mais ligada à nicotina. Essa substância, absorvida principalmente pelos pulmões e também pela ingestão da fumaça, estimula a acetilcolina, um neurotransmissor que auxilia no funcionamento intestinal.

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“Esse estímulo intensifica as contrações intestinais, promove a secreção de líquidos e acelera o esvaziamento do cólon. Por isso, muitas pessoas costumam evacuar logo após fumar o primeiro cigarro do dia”, explica Maria Enedina Scuarcialupi, coordenadora da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

Sem o estímulo constante da nicotina, o intestino, que estava acostumado a receber a ordem de se contrair, pode apresentar uma diminuição temporária dos movimentos. A ausência do hábito de fumar antes de ir ao banheiro também afeta o trânsito intestinal, levando à prisão de ventre.

“A abstinência pode causar alterações no apetite, nível de ansiedade, alimentação e rotina, fatores que contribuem para fezes mais secas, esforço ao evacuar e sensação de esvaziamento incompleto”, afirma a coloproctologista Aline Amaro.

As médicas afirmam que a situação é incômoda, mas temporária — na maioria das pessoas, o intestino volta a funcionar corretamente em cerca de quatro semanas.

Aline sugere que, para superar esse período, é importante aumentar gradualmente o consumo de fibras, beber água regularmente, manter a atividade física em dia e reservar um momento tranquilo para ir ao banheiro, especialmente após as refeições.

“Algumas medicações usadas no tratamento do tabagismo também podem contribuir para a constipação em alguns pacientes, por isso o acompanhamento profissional é essencial”, ressalta.

O tabagismo é um dos hábitos mais prejudiciais, associado a várias doenças, incluindo câncer, doenças inflamatórias e piora geral da saúde. No intestino, a nicotina prejudica a circulação sanguínea, a proteção da mucosa e a resposta imunológica do sistema digestivo.

Parar de fumar traz uma série de sintomas de abstinência, como irritabilidade, insônia, pesadelos, tremores, sudorese e aumento do apetite. Apesar de incômodos, esses sinais são temporários e os benefícios de deixar o cigarro superam os desconfortos.

Maria Enedina explica que, ao parar de fumar, a melhora na saúde é rapidamente perceptível. Na primeira semana, a pressão arterial se normaliza, a frequência cardíaca diminui e a circulação sanguínea melhora. Nos dias seguintes, o olfato e o paladar se recuperam, e a aparência da pele e o odor corporal se normalizam.

“Com o tempo, os benefícios cardiovasculares continuam crescendo: após um ano sem fumar, o risco de doença coronariana diminui significativamente e, após alguns anos, o risco de AVC também cai consideravelmente, se aproximando do de não fumantes”, afirma a pneumologista.