Lance seu negócio online com inteligência artificial e comece a ganhar dinheiro hoje mesmo com o iCHAIT.COM

Governo de SP transfere verbas de emendas Pix para Tesouro Estadual, contrariando LDO

Date:


Fachada do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo. (Foto: Instagram)

O governo de São Paulo transferiu recursos recebidos por meio de emendas Pix para contas da administração estadual, o que vai contra a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de acordo com auditores do Tribunal de Contas da União (TCU).

++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático

A legislação exige que os valores sejam mantidos em contas específicas para cada emenda, o que não foi observado em nenhuma transferência para o estado nos dois primeiros anos da gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), conforme análise das emendas Pix recebidas pelo governo paulista em 2023 e 2024.

++ Jovem mata o padrasto para defender a mãe e o inesperado acontece

Durante esse período, todas as 25 transferências foram direcionadas para uma conta atrelada à Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP). Os parlamentares enviaram, via emenda Pix, R$ 73,6 milhões ao governo paulista. Com os dados fornecidos pelo Transferegov, sistema oficial do governo federal, é possível confirmar o uso de apenas R$ 12,9 milhões.

Em julho de 2024, cerca de R$ 33,5 milhões em emendas Pix foram para o caixa estadual, conforme extrato da conta do Tesouro paulista. Outros R$ 26 milhões foram transferidos em dezembro daquele ano, após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), impor restrições às transferências (detalhes abaixo).

O governo estadual não informou se as emendas de maior valor que ainda não foram executadas estão atualmente em contas específicas. No entanto, afirmou que os repasses “têm seus valores totalmente preservados, devidamente identificados contabilmente e com plena rastreabilidade”.

A rastreabilidade de uma emenda de R$ 2 milhões, enviada pela ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) em 2024 (detalhes abaixo), foi questionada pelo TCU após a transferência do recurso de uma conta específica para uma conta do governo estadual, rompendo o “nexo de causalidade entre a emenda parlamentar e suas finalidades”.

O governo de São Paulo devolveu o recurso a uma conta específica, após comprovar que ainda tinha posse do recurso, o que evitou que o TCU instaurasse uma investigação mais aprofundada.

O QUE DIZ A LEI
As emendas parlamentares são partes do orçamento indicadas para parlamentares. Elas podem ser de bancada ou individuais e, entre as individuais, há as de “finalidade definida” e as “transferências especiais”, que vão direto ao caixa do ente federativo beneficiado. Devido à transação simplificada, foram chamadas de emendas Pix.

Uma instrução normativa do ministro Bruno Dantas, do TCU, de janeiro de 2024, estabeleceu as regras das emendas Pix. Elas deveriam conter planos de trabalho e o recurso precisava ficar restrito a uma conta específica. Este entendimento sobre a conta bancária já estava definido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do governo federal de 2023 e 2024.

Sete meses depois, em agosto de 2024, o STF, através de Dino, reforçou as determinações. O magistrado chegou a suspender repasses de emendas Pix que não tinham plano de trabalho, além de outros critérios de rastreabilidade e transparência. Sua decisão reforçou o que já estava consolidado nas LDOs – os recursos de emendas Pix devem ser mantidos em conta específica para cada transferência.

A prática não ocorre apenas em São Paulo, afirma um integrante do gabinete de Dino. Antes da determinação do ministro do STF, em geral, os recursos se perdiam na maioria dos entes federativos que recebiam emendas Pix.

TCU PEDE RESTITUIÇÃO DE EMENDA DE ZAMBELLI
Uma apuração que verifica as emendas Pix repassadas entre 2020 e 2024 ao governo de São Paulo encontrou inconsistências em um repasse de Zambelli, que está presa na Itália enquanto responde a processo de extradição para o Brasil.

Ela destinou R$ 1 milhão para um “show artístico musical” e R$ 1 milhão para a produção da série audiovisual Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem, que também recebeu recursos de Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-deputado federal cassado, e dos deputados federais Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF).

A investigação do TCU, que envolveu quatro auditores fiscais em fevereiro deste ano, considerou instaurar uma Tomada Especial de Contas (TCE) para identificar os responsáveis pelo envio da emenda ao caixa do governo. O relatório dos fiscais pediu a realocação da emenda indicada por Zambelli.

“Fragilidades de planejamento e de registro, somadas à movimentação dos recursos para fora da conta específica, culminaram na perda de sua rastreabilidade, situação que, em regra, ensejaria a proposta de conversão dos presentes autos em Tomada de Contas Especial, com vistas à apuração de responsabilidades e à eventual imputação de débito aos responsáveis […] Assim, preliminarmente, mostra-se mais adequado propor a determinação ao referido ente para que promova a devolução do montante de R$ 2.002.324,54, devidamente atualizado desde 10/7/2024, à conta corrente específica da transferência especial, de modo a restabelecer a rastreabilidade dos recursos e viabilizar a adequada verificação de sua aplicação”, afirma relatório do TCU.

Questionado, o governo afirmou que retornou o valor da emenda de Zambelli à conta específica da verba. “Os valores correspondentes, bem como todos os acréscimos legais, foram integralmente direcionados à conta específica e segregada, conforme recomendação da área técnica do Tribunal de Contas da União”, afirmou o governo paulista.

No período de 21 meses e 19 dias em que ficou no caixa do governo, a emenda rendeu R$ 510.586,74.

Outro ponto apontado pelo TCU foi a ausência de “relatório de gestão” no Transferegov. Os relatórios devem ser atualizados anualmente até a conclusão do objeto. No caso dessa emenda específica, mesmo que não tenha gastos, a gestão estadual deveria ” informar de forma transparente à sociedade a atual situação da execução da emenda parlamentar”.

“Ressalta-se que a elaboração e a inserção do relatório de gestão constituem instrumentos essenciais para assegurar a transparência, a rastreabilidade e o controle da aplicação dos recursos públicos, permitindo a consolidação das informações relativas à execução física e financeira”, conclui o Tribunal de Contas no ofício encaminhado ao governo paulista.

EMENDA AGUARDA MAIS DE 2 ANOS
Um dos recursos que também chamam a atenção é uma transferência especial de R$ 1,5 milhão enviada pela deputada Rosana Valle (PL-SP) para um conjunto habitacional, em Santos. O recurso chegou ao caixa do governo paulista em 31/8/2023 e, após 2 anos e 8 meses, ainda não cumpriu sua finalidade.

A deputada federal Rosana Valle (PL-SP), o engenheiro Silvio Vasconcellos da CDHU, e o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco.A parlamentar justificou a demora pela mudança de objeto da emenda destinada ao “Núcleo Caminho Dona Adelaide”. Segundo ela, integrantes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de SP a convenceram a direcionar o recurso ao programa habitacional “Viver Melhor”.

“Era uma verba para regularização fundiária, depois nós achamos melhor destinar para esse projeto que eles apresentaram para mim”, afirmou Rosana ao Metrópoles. “Se a pessoa quer reformar um banheiro na casa dela, ela está com uma parede ruim, então eles estão avaliando cada necessidade”, completou.
No último dia 18 de dezembro, o governo publicou em seu site a assinatura do documento que autoriza o início das obras.

Share post:

Assine

Popular

Notícias Relacionadas
Related

Metrô-DF é condenado a indenizar servidora PCD por disparidade salarial

Metrô-DF condenado a indenizar servidora...

Gustavo Zerbino traz a Brasília lições de sobrevivência e superação

Gustavo Zerbino, sobrevivente do Voo...

Tráfico no DF usava festas com brinquedos infláveis para crianças como fachada

Diversão infantil bancada pelo tráfico...
Translate »