
Cauã Reymond revela batalha contra a depressão funcional após o sucesso de Avenida Brasil (Foto: Instagram)
Cauã Reymond compartilhou sobre o período em que enfrentou depressão após o sucesso de "Avenida Brasil", em 2012. Mesmo em uma fase de grandes conquistas, o ator sentia que algo estava faltando. Esse relato chamou a atenção para uma situação difícil de identificar: quando alguém continua a trabalhar e cumprir suas rotinas, mas enfrenta um sofrimento emocional significativo.
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De acordo com especialistas consultados pela coluna de Fábia Oliveira, o termo “depressão funcional” é usado para descrever situações em que a pessoa mantém a capacidade de realizar suas atividades, apesar de apresentar sintomas depressivos. Popularmente, também é conhecida como “depressão sorridente”.
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“A depressão funcional, ou atípica, é aquela em que a pessoa continua a trabalhar e a realizar suas tarefas, mas internamente sente que a vida perdeu o sentido. As coisas não trazem mais o mesmo prazer e a vida parece sem cor”, explicou a psiquiatra Jessica Martani.
A especialista ressalta que os sinais vão além da tristeza, podendo incluir alterações cognitivas, no sono, na alimentação e no comportamento. “Podem surgir dificuldades de foco, atenção e memória, além de mudanças no sono e apetite. A irritabilidade também pode estar presente”, acrescentou Jessica.
O psiquiatra Ciro Jorge destaca que manter as atividades não garante saúde mental preservada. “Uma pessoa pode seguir trabalhando e cumprindo responsabilidades, mas ainda assim estar deprimida. O funcionamento externo não é suficiente para avaliar a saúde mental”, afirmou.
Para o psiquiatra Rafael Fabri, é essencial observar a qualidade da experiência de vida. “Cumprir uma agenda cheia não significa estar bem. Precisamos considerar se ainda há prazer, motivação genuína e como estão o sono, a concentração e os relacionamentos”, explicou.
Um dos grandes desafios é a aparência de normalidade. A pessoa pode estar entregando resultados e mantendo compromissos, mas viver no automático. “É comum haver uma discrepância entre o que a pessoa faz e o que sente internamente”, afirmou Rafael Fabri.
A psiquiatra Jessica Martani destaca a perda de prazer como um sinal importante. “A pessoa continua a fazer o que sempre fez, mas sem a mesma satisfação. É como se faltasse cor para as coisas que antes tinham significado”, disse.
Cauã Reymond também destacou que a depressão não depende apenas de circunstâncias externas. Ele viveu esse período após um grande sucesso profissional. “A saúde mental não segue uma lógica de gratidão. Ter motivos externos para ser feliz não impede o sofrimento interno”, afirmou a psiquiatra Camilla Nicolucci.
Camilla também explica que grandes mudanças exigem adaptação emocional. “Mudanças positivas podem exigir uma reorganização interna, e nem sempre conseguimos acompanhar essas mudanças no mesmo ritmo”, explicou.
Procurar ajuda não significa perder o controle da própria vida. Muitas vezes, é reconhecer que existe um sofrimento que precisa ser cuidado. “Se a vida perdeu significado, mesmo realizando tudo, isso merece atenção”, concluiu Jessica Martani.






