
Filme de PMs atirando em suspeito rendido em Cidade Ademar (Foto: Instagram)
Na noite da última segunda-feira (4/5), em Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, um homem que registrou policiais militares (PMs) executando um suspeito rendido relatou ter sido ameaçado pelos agentes.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
Lucas Ferreira Tomaz, de 30 anos, que trabalha como encarregado de obras, contou ao Metrópoles que os policiais invadiram sua residência após o incidente, tiraram fotos de suas tatuagens e disseram que "iriam atrás dele" caso os vídeos fossem divulgados na mídia.
++ Jovem mata o padrasto para defender a mãe e o inesperado acontece
Apesar das ameaças feitas pelos agentes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e do 22º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), Lucas afirmou não ter medo, ao contrário de sua família e dos parentes do jovem morto.
“Eu digo: ‘não tenho medo, pelo amor de Deus, fiquem tranquilos’. Estamos nas mãos de Deus. Não devemos abaixar a cabeça ou temer”, afirmou. Ele manteve essa postura ao prestar depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e na Corregedoria da Polícia Militar. “Quanto mais eu fizer isso, eles [policiais] não vão me tocar”, explicou.
MORADOR GRAVOU VÍDEO DE HOMICÍDIO
Lucas estava em casa com a esposa e a enteada quando ouviu um barulho de perseguição na rua. Pela janela, ele viu um Fiat Strada vermelho sendo perseguido por policiais da Rota, conforme relatou à reportagem.
Ele gravou com o celular o momento em que um dos policiais atirou contra o veículo, atingindo um suspeito que estava rendido, com as mãos no painel do carro. As imagens são impactantes. Veja:
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os policiais desconfiaram de um veículo que tentou fugir e colidiu com uma viatura. Um dos ocupantes foi detido e o outro, de 20 anos, permaneceu armado no carro, sendo atingido após a intervenção policial.
Com os suspeitos, foram apreendidos uma pistola calibre 9mm e porções de maconha, cocaína, crack e lança-perfume.
“Os rapazes estavam fazendo algo errado no momento, tudo bem, mas não precisavam fazer o que fizeram. Se eles tivessem atirado nos policiais, feito alguma ameaça ou trocado tiros, tudo bem… mas não foi isso que aconteceu. Ele [policial] simplesmente foi lá e atirou”, relatou.
Após o homicídio, Lucas contou que os policiais cercaram o local da ocorrência. “Começaram a ir no bar, na outra casa, começaram a ver as câmeras. Pediram para ver as câmeras e tudo mais. Fechar isso, fechar aquilo”, narrou.
Ele também afirmou que, quando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou, o rapaz baleado já estava morto. A SSP, no entanto, alega que o suspeito faleceu no hospital. Ele foi levado ao Hospital Pedreira, também na zona sul da capital.
AMEAÇAS
Na mesma noite, os policiais solicitaram entrada na casa de Lucas, o que ele permitiu. “Eles me viram entrando com minha esposa e minha enteada em casa e pediram para entrar. Em nenhum momento eu disse que eles não podiam entrar”, relatou.
Sob pressão, Lucas forneceu o contato do dono da casa onde mora de aluguel. Os agentes também pediram para acessar uma câmera de segurança do andar inferior, que não estava funcionando. Em seguida, acessaram o celular dele.
Os PMs perguntaram se Lucas tinha filmado a ação e se havia enviado as imagens para alguém. O encarregado de obras confirmou ambas as informações. Enquanto um agente fazia perguntas, outro apagava os conteúdos do celular dele, incluindo as mensagens enviadas a terceiros com os vídeos. Segundo o relato, os conteúdos começaram a circular imediatamente após o envio.
“Eles disseram: ‘se esses vídeos caírem na vida, a gente vai atrás de você’”, contou ao Metrópoles. Os policiais teriam afirmado ainda que “a Rota não deve ser gravada” e que “não precisa gravar” ações do batalhão de elite.
As intimidações continuaram. Lucas também relatou que os PMs tiraram fotos de suas tatuagens e de sua barriga, com a cicatriz de uma cirurgia realizada há 60 dias. Quando perguntaram sobre seus antecedentes criminais, ele não escondeu que já foi preso por tráfico de drogas e receptação – vida que abandonou há 10 anos, segundo seu relato.
“Hoje eu não estou mais no crime. Estou com Deus. Já fiz muita coisa errada na minha vida, mas isso não justifica os caras chegarem, fazerem o que querem na comunidade e ficarem impunes”, argumentou.
PMS SÃO AFASTADOS DAS RUAS
Conforme a SSP, os policiais militares foram afastados do serviço operacional. Não foi informado o número de agentes envolvidos na ocorrência nem se todos receberam a mesma punição.
As armas dos policiais foram apreendidas e estão sendo periciadas, e as imagens capturadas pelas câmeras corporais estão sob análise.
A SSP destacou que todas as circunstâncias dos fatos são investigadas pelo DHPP, da Polícia Civil. Além disso, a Polícia Militar instaurou um inquérito próprio para apurar a dinâmica da ocorrência.
Exames periciais foram solicitados ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML) para auxiliar nas investigações.


