
Senador Cleitinho durante discurso no plenário do Senado antes de anunciar sua desistência da disputa pelo governo de Minas Gerais. (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – A decisão de Cleitinho (Republicanos) de não concorrer mais ao governo de Minas reabre a disputa eleitoral no estado. O senador, que liderava as pesquisas, anunciou sua saída da corrida nesta segunda-feira (3/8), após meses de incertezas, o que mobiliza tanto a direita quanto a esquerda para conquistar o expressivo eleitorado que ele possuía.
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AS IDAS E VINDAS DE CLEITINHO
- Indefinição prolongada: mesmo liderando as pesquisas, Cleitinho adiou por meses a decisão sobre sua candidatura ao governo de Minas;
- Convenção sem definição: em 25 de julho, o Republicanos realizou sua convenção, mas deixou a ata em aberto aguardando a resposta do senador;
- Partido fecha a porta: em 29 de julho, a direção nacional do Republicanos informou que Cleitinho havia perdido o momento para viabilizar sua candidatura;
- Reação ao veto: horas depois, o senador declarou que continuava candidato e iniciou uma mobilização para reverter a decisão, com apoio de membros do PL;
- Luto entrou no debate: Cleitinho afirmou que a demora para responder ao partido se devia ao luto pela morte de seu irmão caçula;
- Tentativas de acordo: o senador procurou o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e aliados como Flávio Bolsonaro para tentar recuperar sua candidatura;
- Desistência definitiva: no dia 3 de agosto, Cleitinho anunciou que não concorreria mais ao governo de Minas, mesmo continuando a liderar as pesquisas de intenção de voto.
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As pesquisas realizadas nas últimas semanas não indicam um beneficiário automático com a saída de Cleitinho. Nenhum candidato herda diretamente o eleitorado do senador. Sem ele, a disputa se fragmenta, o número de eleitores sem candidato aumenta e abre-se uma disputa pela fatia do eleitorado que combinava o apoio ao senador com diferentes preferências na eleição presidencial.
Porém, Alexandre Kalil (PDT), que estava em segundo lugar na maioria dos cenários, se torna o líder em algumas pesquisas, como a Genial/Quaest divulgada na última semana. Ele pode ganhar até 5 pontos percentuais, dependendo da pesquisa.
Pesquisas como a Real Time Big Data, publicada na última quinta-feira (30/7), mostravam Cleitinho com 36% das intenções de voto no principal cenário de primeiro turno, seguido por Alexandre Kalil (PDT), com 15%; Patrus Ananias (PT), com 14%; Mateus Simões (PSD), com 10%; e Gabriel Azevedo (MDB), com 7%.
Nos demais cenários em que o senador aparecia, ele oscilava entre 37% e 38%, sempre com ampla vantagem sobre os adversários.
Quando o nome de Cleitinho era retirado da disputa, o cenário mudava completamente. Kalil aparecia com 20% das intenções de voto, Patrus tinha 17% e Marcelo Aro (PP), apontado como possível nome apoiado por Republicanos e PL, surgia com 15%. Mateus Simões registrava 10% e Gabriel Azevedo, 8%.
MARCELO ARO “NA RESERVA”
Outro que pode se beneficiar com a saída de Cleitinho é o ex-secretário do governo Zema, Marcelo Aro, que agora é o principal nome para receber o apoio do Republicanos e do PL, sendo uma possível plataforma em Minas para o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
ESQUERDA DE OLHO
Embora Cleitinho seja um político de direita, ele apoia pautas que também são importantes para a esquerda, como o fim da escala 6×1. Pesquisas internas dos partidos mostram que existe em Minas um potencial de "voto cruzado" entre Lula e Cleitinho de cerca de 30%.
Assim, o candidato do PT para o pleito estadual, Patrus Ananias, deve buscar parte dos votos de Cleitinho para tentar se aproximar dos percentuais de voto de Lula entre os mineiros, que são significativamente maiores que os dele.
PERDAS
O atual governador, Mateus Simões (PSD), foi um dos que mais perdeu com essa situação, pois contava com Marcelo Aro como candidato ao Senado em sua chapa e com o apoio de PP e União Brasil, mas agora enfrenta um forte adversário. As pesquisas também mostram que ele não absorve, ao menos de imediato, os votos deixados por Cleitinho.
Por outro lado, Gabriel Azevedo (MDB) vê seu percentual de intenções de voto aumentar ligeiramente nos cenários sem Cleitinho, de 4% para 6% na Quaest.






