
Lemann e Telles sob nova pressão judicial nos EUA (Foto: Instagram)
Enquanto no Brasil a 3G Capital, dos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, busca se livrar das investigações sobre o rombo contábil da Americanas, um processo em Delaware, nos Estados Unidos, trouxe novamente à tona acusações de uso de informação privilegiada na venda de ações da Kraft Heinz.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
A Suprema Corte de Delaware decidiu reabrir no ano passado uma disputa iniciada por investidores da empresa de alimentos. A ação foi movida pela gestora austríaca Erste Asset Management, que visa responsabilizar antigos executivos, conselheiros e entidades associadas à 3G Capital.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
Entre os réus estão Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e empresas ligadas à 3G Capital. A discussão envolve a venda de cerca de US$ 1,2 bilhão em ações da Kraft Heinz pela 3G em agosto de 2018, alguns meses antes de a empresa divulgar resultados decepcionantes e registrar baixas contábeis que causaram uma queda no valor de suas ações. A gestora austríaca alega que a operação foi baseada em informações relevantes que ainda não eram públicas.
As acusações não são novas. A ação original foi movida em 2019, mas foi rejeitada pela Justiça de Delaware em 2021, e a decisão foi confirmada pela Suprema Corte estadual em 2022.
O caso voltou a ser discutido após a Erste alegar ter descoberto novas evidências relacionadas ao conselheiro John Cahill. A gestora afirma que a Kraft Heinz informou publicamente que Cahill havia encerrado sua consultoria com a empresa em julho de 2019, informação que foi considerada pela Justiça ao concluir que ele era independente da 3G Capital para analisar possíveis medidas contra os controladores.
No entanto, surgiram documentos indicando que Cahill continuou prestando consultoria à empresa após essa data, recebendo 500 mil opções de ações como forma de pagamento, em vez de dinheiro, cujo exercício dependia da continuidade de sua atuação como consultor.
A própria Kraft Heinz reconheceu, para fins do recurso, que as informações públicas sobre o término da consultoria estavam incorretas.
Ao reverter a decisão anterior, a Suprema Corte de Delaware decidiu que uma parte não pode fazer uma divulgação pública falsa, permitir que a outra parte se baseie nela para formular suas alegações, repetir essa mesma informação durante o processo e, depois de obter uma decisão favorável, sustentar que a divulgação estava fora do contexto judicial.
A decisão não significa que os acionistas da 3G tenham sido considerados culpados pelas acusações. O julgamento determinou que a ação retorne à primeira instância para nova análise à luz das evidências apresentadas.
Em documento divulgado aos investidores em maio deste ano, a Kraft Heinz informa que pretende contestar vigorosamente as alegações. A empresa afirma que, após a decisão da Suprema Corte, o processo foi reunificado com a ação derivativa original e segue em fase inicial, motivo pelo qual ainda não é possível estimar eventuais perdas financeiras decorrentes da disputa.
Enquanto isso, no Brasil, a 3G Capital foi surpreendida por outra frente judicial. Em 25 de junho deste ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Disclosure para investigar possíveis irregularidades relacionadas ao rombo financeiro da Americanas. Entre os alvos estão Carlos Alberto Sicupira, acionista e ex-conselheiro da varejista, e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann. A operação resultou no bloqueio de mais de R$ 54 bilhões em bens.
Na ocasião, a LTS, holding de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, afirmou ter sido surpreendida pela operação. Em nota, o grupo reiterou que seus integrantes “foram enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da Americanas”.
A coluna tentou contato com a 3G Capital para se manifestar sobre a ação em Delaware.






