
Ilustração conceitual de transtornos mentais (Foto: Instagram)
Os transtornos mentais praticamente dobraram globalmente nas últimas três décadas, afetando atualmente cerca de 1,17 bilhão de pessoas. Este dado faz parte de uma pesquisa publicada neste sábado (23/5) na revista científica The Lancet, baseada nas análises do Global Burden of Disease (GBD) 2023.
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Os pesquisadores apontam que o número global de casos subiu de 599 milhões em 1990 para 1,17 bilhão em 2023, representando um crescimento de 95,5% no período. A pesquisa avaliou 12 tipos de transtornos mentais em 204 países e territórios.
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O levantamento também indica que os transtornos mentais são atualmente uma das principais causas de incapacidade global, afetando significativamente a qualidade de vida, produtividade e bem-estar social.
Entre as condições analisadas, os transtornos de ansiedade e depressivos destacam-se como os principais responsáveis pela carga global de doenças mentais. Segundo dados do Institute for Health Metrics and Evaluation, os transtornos de ansiedade afetavam cerca de 470 milhões de pessoas em 2023, enquanto os transtornos depressivos maiores atingiam aproximadamente 236 milhões.
Os pesquisadores identificaram diferenças significativas entre homens e mulheres, com as mulheres apresentando taxas mais elevadas de ansiedade e depressão, enquanto os homens tiveram maior prevalência de transtornos do neurodesenvolvimento e de conduta. Adolescentes e jovens entre 15 e 19 anos estão entre os mais afetados atualmente.
Os autores do estudo afirmam que diversos fatores contribuíram para o aumento global dos transtornos mentais nas últimas décadas, incluindo pobreza, violência, insegurança, desigualdades sociais e isolamento. A pandemia de Covid-19 também é citada como um fator que agravou a saúde mental em várias nações, especialmente em relação à ansiedade e depressão.
Em comunicado do IHME, o pesquisador Damian Santomauro destacou que “os dados reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas para prevenção e tratamento em saúde mental”. Ele ressaltou que muitos países ainda enfrentam dificuldades para oferecer atendimento adequado, apesar do aumento expressivo na demanda por cuidados psicológicos e psiquiátricos.
Os pesquisadores enfatizam que o impacto dos transtornos mentais durante a adolescência pode comprometer a educação, relações sociais e desenvolvimento profissional ao longo da vida. Por isso, defendem maior investimento em prevenção, diagnóstico precoce e ampliação do acesso aos serviços de saúde mental, especialmente para jovens e grupos mais vulneráveis.



