
Política de Trump afeta atletas e seleções na preparação para a Copa 2026 (Foto: Instagram)
A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília anunciou, na terça-feira (9/6), um projeto que levará jovens atletas de futebol do Brasil, Sri Lanka, Israel, Quirguistão, República Centro-Africana, Nigéria e Trinidade e Tobago para treinamentos e estudos em Los Angeles. No entanto, ao mesmo tempo em que promove o intercâmbio através do esporte, as controvérsias políticas do governo de Donald Trump já impactam a Copa do Mundo 2026, antes mesmo de seu início.
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O caso mais significativo de como a política se misturou com o futebol ocorreu com a seleção do Irã, que foi alvo de ataques dos EUA em fevereiro deste ano, resultando na morte do ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Classificada para a Copa do Mundo em março de 2025, a equipe iraniana foi ameaçada por Trump, que afirmou que "não seria apropriado" o time participar do torneio, considerando o conflito entre os dois países, que será sediado nos EUA, Canadá e México.
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Conter a imigração nos EUA foi uma das principais promessas de campanha de Donald Trump em 2024. As medidas começaram a ser implementadas em janeiro de 2025, quando o republicano assumiu a Casa Branca pela segunda vez. Desde então, os EUA adotaram práticas contra imigrantes, incluindo deportações em massa e suspensão de vistos para cidadãos de 19 países, com algumas exceções para diplomatas, autoridades, cidadãos com dupla nacionalidade de países não afetados e participantes de eventos esportivos.
Conforme reportado pelo Financial Times, o governo sugeriu à Fifa substituir o Irã pela Itália, que ficou de fora da Copa pela terceira vez consecutiva. Devido à tensão gerada pelo líder norte-americano, a federação iraniana considerou transferir suas partidas da fase de grupos, previstas para os EUA, para o México, mas a Fifa negou o pedido. No entanto, o centro de treinamento foi transferido do Arizona para Tijuana, no México, devido à demora na emissão dos vistos para a delegação iraniana.
Os EUA concederam vistos para alguns jogadores e equipe essencial, mas negaram o documento para membros da comissão técnica do Irã, incluindo o presidente da federação, Mehdi Taj. Além disso, revogaram a cota de ingressos para torcedores iranianos. A seleção iraniana precisará entrar nos EUA um dia antes dos jogos e sair em até 36 horas, retornando ao centro de treinamento no México.
O meio-campista haitiano Pierre Woodensky, que enfrentará o Brasil na segunda partida da fase de grupos, também teve problemas para entrar nos EUA. Único convocado que joga no Haiti, ele chegou à Flórida no último dia 2, após enfrentar dificuldades devido à suspensão de vistos para cidadãos de 19 países. Breel Embolo, da Suíça, também enfrentou problemas, recebendo permissão para entrar nos EUA apenas no dia 4.
As políticas de Trump também afetaram a arbitragem do Mundial. Omar Artan, eleito melhor árbitro masculino pela CAF, foi impedido de entrar nos EUA, apesar de ter um visto. Ele passou por um interrogatório de 11 horas antes de ser barrado em Miami. Washington não comentou a decisão, embora Artan se enquadrasse nas exceções para eventos esportivos.
Aymen Hussein, do Iraque, foi detido e interrogado por 7 horas em Chicago. Apesar de ser capitão da seleção iraquiana, foi tratado como "terrorista" ao ser confundido com outro cidadão iraquiano, mas foi liberado em seguida. Delegações do Senegal e Uzbequistão também passaram por rigorosos controles de segurança.
A Fifa, liderada por Gianni Infantino, afirmou não ter controle sobre os processos de imigração dos países-sede da Copa. As decisões são soberanas dos EUA, México e Canadá.



