
Autoridade participa de sessão solene em Assembleia Legislativa de Mato Grosso (Foto: Instagram)
A Polícia Federal (PF) revelou que uma rede de 15 fundos de investimento foi utilizada para esconder o desvio de R$ 308 milhões dos cofres públicos em Mato Grosso. A "engenharia de opacidade", investigada pela Operação Heritage, criava proteções financeiras para dificultar o rastreamento do dinheiro e ocultar os verdadeiros beneficiários.
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A operação teve como alvo o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), o desembargador Ricardo Gomes de Almeida e um procurador do estado.
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De acordo com o relatório da investigação, dez dos fundos foram criados especificamente no contexto de um acordo com a empresa de telefonia Oi, com datas de abertura que coincidem com os repasses do governo estadual. A PF indica que esses fundos não buscavam captar no mercado e operavam sem finalidade econômica real, com alguns funcionando com aportes iniciais simbólicos.
Os investigadores descreveram alguns desses veículos como "contas de passagem", usadas para que o dinheiro transitasse entre empresas e fundos até chegar aos destinatários finais. Um exemplo citado é o Zurich FIM CP, utilizado para movimentação temporária dos recursos antes de integrar o patrimônio de empresas ligadas aos investigados.
Outro caminho identificado pela PF envolve o fundo Royal Capital FIDC, que teria sido usado para adquirir participações na Parecis Bioenergia, empresa ligada aos filhos de Mauro Mendes. O fundo Lotte Word FIDC teria direcionado valores para o núcleo familiar do deputado Fábio Garcia.
A PF sustenta que essa movimentação em cascata buscava dar aparência de legalidade aos recursos, dificultando a identificação da origem e dos beneficiários finais.
OPERAÇÃO
A operação, deflagrada nesta quinta-feira (6/8), investiga suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos em um esquema envolvendo um acordo entre o governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia.
A Justiça determinou buscas e apreensões, quebra de sigilos bancário e fiscal, bloqueio de bens até R$ 316 milhões, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os investigados. Segundo a PF, as investigações começaram a partir da análise de um acordo entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia para restituição de valores relacionados a uma disputa tributária.
A corporação aponta indícios de que a operação financeira foi usada para desviar recursos públicos por meio de fundos de investimento e empresas de fachada. A coluna buscou contato com o ex-governador, mas ainda não obteve retorno. O espaço permanece aberto.






