O recente relato de Isis Valverde sobre suas internações devido a episódios relacionados à doença celíaca reacendeu a atenção para uma condição frequentemente confundida com uma simples sensibilidade alimentar. Ao compartilhar suas crises após contaminações alimentares com glúten, a atriz trouxe novamente à tona um debate crucial: por que essa doença demanda tantos cuidados e pode impactar a saúde de maneira tão significativa?
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De acordo com a nutricionista Yasmim Duro, o equívoco de tratar a doença como uma mera intolerância ainda dificulta a compreensão sobre sua gravidade.
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“A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pelo consumo de glúten. Vai além de uma simples intolerância alimentar porque, ao ingerir glúten, o corpo reage de forma inadequada e começa a ‘atacar’ o próprio intestino, causando inflamação e prejudicando a absorção de nutrientes”, explicou.
Essa resposta imunológica provoca danos às vilosidades intestinais, estruturas responsáveis pela absorção de vitaminas, minerais e nutrientes essenciais para o corpo. Segundo a especialista, quando essas estruturas são comprometidas, surgem consequências que podem se manifestar de várias formas.
“O processo inflamatório prejudica a absorção de nutrientes importantes, como ferro, cálcio, vitamina B12 e vitamina D. Dependendo da gravidade, isso pode levar a quadros de anemia, fadiga persistente, perda de peso, alterações ósseas e deficiência nutricional”, afirmou Yasmim Duro.
DIVERSIDADE DE SINTOMAS A alergista e imunologista Brianna Nicoletti destaca que a diversidade de sintomas é um dos fatores que dificultam o diagnóstico, fazendo com que muitas pessoas convivam durante anos com sinais pouco específicos sem suspeitar da doença.
“A doença celíaca pode se manifestar de formas bastante variadas. Algumas pessoas apresentam sintomas intestinais clássicos, enquanto outras têm anemia, fadiga, alterações de pele, dores de cabeça ou até sintomas neurológicos. Isso faz com que muitos casos passem despercebidos por longo tempo”, explicou.
Entre os sintomas mais comuns estão dor abdominal, sensação frequente de inchaço, diarreia, constipação, desconfortos digestivos recorrentes, cansaço excessivo, perda de peso e anemia. Em alguns casos, manifestações menos óbvias também podem ocorrer, como queda de cabelo, aftas repetidas, irritabilidade, alterações de humor e dificuldade de concentração.
O caso de Isis também destacou um aspecto frequentemente negligenciado: a contaminação cruzada. Para quem tem doença celíaca, não basta apenas excluir alimentos conhecidos por conter glúten. Pequenos traços em utensílios, superfícies, fritadeiras compartilhadas ou no preparo inadequado dos alimentos podem desencadear reações significativas.
“O principal passo é excluir completamente o glúten da alimentação, mas isso precisa ser acompanhado de atenção à contaminação cruzada. Muitas vezes ela ocorre no preparo, em utensílios compartilhados ou até em alimentos industrializados. Ler rótulos se torna um hábito indispensável”, orientou Yasmim Duro.
DIAGNÓSTICO Após o diagnóstico, segundo as especialistas, a recomendação é priorizar alimentos naturalmente livres de glúten, como frutas, legumes, verduras, proteínas, arroz, milho, mandioca e batata, além de acompanhamento nutricional individualizado para avaliar possíveis deficiências.
“A suplementação não é igual para todos os pacientes. Ela depende dos exames e das necessidades individuais. Em alguns casos, pode haver necessidade de ferro, cálcio, vitamina D, zinco, vitamina B12, ácido fólico e até probióticos para ajudar na saúde intestinal”, explicou a nutricionista.
Especialistas ainda fazem um alerta importante: retirar o glúten da alimentação por conta própria antes da investigação médica pode dificultar a confirmação do diagnóstico, já que exames laboratoriais e intestinais dependem da exposição ao glúten para identificar alterações características da doença.
“A doença celíaca não é moda alimentar e nem uma dieta opcional. É uma condição autoimune séria que exige exclusão rigorosa do glúten para evitar danos ao organismo”, reforçou Brianna Nicoletti.
Para os especialistas, relatos públicos como o da atriz ajudam a ampliar a conscientização sobre sintomas muitas vezes normalizados no cotidiano e incentivam a busca por avaliação adequada. “Muita gente convive com sinais persistentes acreditando que são normais ou consequência do estresse. Informação é fundamental para que mais pessoas recebam diagnóstico correto e tratamento adequado”, concluiu Brianna Nicoletti.


