
CDBs do Digimais disparam 1.130% em oito anos; PF investiga suspeita de fraude (Foto: Instagram)
O saldo dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Banco Digimais, instituição associada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, aumentou 1.130% ao longo de oito anos, alcançando R$ 8,5 bilhões em 2025. Este crescimento, impulsionado por remunerações que chegaram a 140% do CDI para atrair investidores, é o foco da investigação que levou a Polícia Federal a realizar uma operação contra a instituição financeira nesta terça-feira (23/6).
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Em 2017, o valor da carteira de CDBs era de R$ 694 milhões. Desde então, houve um crescimento anual até atingir R$ 8,5 bilhões em 2025, de acordo com os demonstrativos financeiros do Digimais analisados pela coluna.
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O banco Digimais foi alvo da Operação Miragem da Polícia Federal, que investiga suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito proibidas. Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça autorizou a quebra de sigilos fiscais de 18 alvos da operação e o bloqueio de bens do bispo Edir Macedo.
No que diz respeito aos CDBs, a investigação sugere que o Digimais utilizou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como um "mecanismo de cobertura para fraudes", semelhante ao modus operandi do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A representação da PF alega que houve uma transferência deliberada de risco: os gestores captavam bilhões do público para sustentar uma operação deficitária, transferindo o prejuízo final para o sistema de proteção institucional do FGC.
"O crescimento do volume de captação não tinha lastro na capacidade patrimonial da instituição emissora, dependendo da expectativa de cobertura por parte do FGC, o que mostra que a gestão usou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo a descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro", relata a Polícia Federal.
Para atrair investidores em meio ao agravamento da situação financeira, o banco passou a oferecer remunerações superiores à média do mercado. Em 2025, o custo médio de captação via plataformas de distribuição chegou a 115,7% do CDI. Segundo a Polícia Federal, alguns CDBs foram ofertados com rentabilidade de até 140% do CDI.
Enquanto aumentava sua captação de recursos e atraía bilhões de reais de investidores, o Digimais registrava lucros que agora são questionados pelos investigadores.
Um documento elaborado pelo próprio Digimais lista seis instituições financeiras como parceiras de captação. São elas: XP Investimentos, BTG Pactual, Nu Invest, Itaú Corretora, Inter e Ágora.







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