
Alex Sandro Coelho Diniz em destaque como possível novo senador de Minas (Foto: Instagram)
Belo Horizonte — A possível eleição de Cleitinho Azevedo (Republicanos) como governador de Minas Gerais pode resultar em uma mudança significativa na representação do estado no Senado. Se Cleitinho deixar o cargo para assumir o Palácio Tiradentes, o primeiro suplente, Alex Sandro Coelho Diniz, um empresário, ocupará sua cadeira.
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Natural de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, Alex Diniz é uma figura proeminente entre os empresários do Leste de Minas. Ele é sócio da rede de supermercados Coelho Diniz e faz parte da família que se tornou acionista importante do Grupo Pão de Açúcar (GPA), além de ter ganhado destaque na política nos últimos anos.
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A possível entrada de Alex no Senado traria ao Congresso um empresário que, até recentemente, atuava principalmente nos bastidores da política regional. Irmão do deputado federal Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG), ele foi escolhido para compor a chapa de Cleitinho na eleição de 2022, na qual Cleitinho foi eleito senador com 41,98% dos votos válidos. Assim, Alex Diniz se tornou o primeiro na linha de sucessão da chapa.
Quando foi selecionado para a chapa de Cleitinho em 2022, seu papel era essencialmente garantir uma alternativa ao titular em caso de afastamento ou vacância. Se Cleitinho vencer a eleição para o governo de Minas, Alex Diniz terá que deixar os bastidores.
A trajetória empresarial dos Coelho Diniz começou em Governador Valadares. A família construiu seu negócio a partir do comércio e, ao longo dos anos, transformou-o em uma das principais redes de supermercados do interior de Minas.
A empresa Supermercado Coelho Diniz foi formalmente constituída em 1992. Atualmente, de acordo com informações divulgadas pela própria companhia, a rede possui 22 lojas em sete municípios e um centro de distribuição em Governador Valadares.
Com a expansão, os negócios da família também se diversificaram para outras áreas, incluindo investimentos imobiliários e logísticos. Alex é um dos irmãos que fazem parte da estrutura empresarial da família. Além dele, André Luiz, Fábio, Helton e Henrique Coelho Diniz também integram o grupo societário.
A dimensão dos negócios ganhou uma nova escala quando a família passou a ocupar uma posição relevante na estrutura acionária do GPA, uma das maiores empresas de varejo alimentar do país. Em 2025, os irmãos chegaram a deter, em conjunto, cerca de 24,6% do capital do grupo, conquistando espaço significativo no conselho de administração.
O movimento levou o nome Coelho Diniz, tradicional no comércio de Governador Valadares, para o centro das disputas societárias de uma das maiores empresas do varejo brasileiro.
A entrada de Alex Diniz na política ocorreu de forma mais direta em 2022. Naquele ano, ele aceitou ser o primeiro suplente na chapa de Cleitinho ao Senado. Durante a campanha, o empresário defendeu a geração de empregos e renda no Leste de Minas e afirmou que sua presença na chapa poderia ajudar a aproximar as demandas da região do Congresso Nacional.
Em entrevista após a eleição, Diniz afirmou que decidiu entrar na política por considerar que essa era uma forma de ampliar sua atuação em causas sociais. No entanto, a relação com o Republicanos não durou até o fim do ciclo eleitoral seguinte.
Ele rompeu com a legenda em 2024, em meio a disputas políticas em Governador Valadares. Durante a convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura do então aliado Coronel Sandro à prefeitura, o empresário protagonizou uma cena simbólica: jogou uma camisa e a carteirinha do Republicanos em uma lata de lixo. O episódio marcou publicamente o rompimento com o antigo partido.
Posteriormente, Alex se filiou ao PL, partido pelo qual passou a circular nas articulações políticas para as eleições de 2026. O empresário chegou a ser apontado como um possível nome para compor uma chapa majoritária em Minas. O movimento ganhou força em meio às conversas envolvendo o vice-governador Mateus Simões e diferentes grupos da direita mineira.
A mudança de partido também ocorreu em meio a uma ruptura política em Governador Valadares. Alex Diniz e o prefeito Coronel Sandro (PL) foram aliados na eleição municipal de 2024. Sandro venceu a disputa pela prefeitura com 52,95% dos votos, mas a relação entre os dois se deteriorou posteriormente.
O conflito se intensificou durante o processo que investigou possíveis irregularidades no contrato de transporte escolar do município. Em depoimento à Comissão Parlamentar Processante da Câmara Municipal, em abril de 2026, Coronel Sandro fez acusações contra Alex.
Segundo relato do prefeito, ele recebeu informações de que o empresário teria procurado um servidor municipal para discutir a substituição da empresa responsável pelo transporte escolar e que haveria uma suposta vantagem financeira envolvida. Diniz alegou que as declarações eram falsas e infundadas e informou que tomaria medidas judiciais contra os envolvidos.
O embate ocorreu justamente enquanto Sandro enfrentava um processo político que poderia resultar na perda do mandato. O prefeito, por sua vez, também fez acusações contra integrantes da Comissão Processante e contestou a condução do procedimento.
Em julho, após a cassação do prefeito pela Câmara Municipal, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos da decisão e determinou o retorno de Coronel Sandro ao cargo, apontando possíveis irregularidades no processo conduzido pelo Legislativo municipal.
O cenário que pode levar Alex Diniz ao Senado depende diretamente do resultado da eleição para o governo de Minas Gerais. Cleitinho foi eleito senador em 2022 para um mandato de oito anos, com término previsto para 2031. Caso ele seja eleito governador e deixe o Senado para assumir o Executivo estadual, Alex será chamado a ocupar a cadeira.
A eventual mudança também teria impacto político para Governador Valadares. A cidade passaria a ter um representante diretamente ligado ao empresariado local ocupando uma das três cadeiras de Minas Gerais no Senado. Além da relação com a família Coelho Diniz, Alex chegaria ao Congresso com uma trajetória empresarial própria, participação na política regional e trânsito dentro de diferentes grupos da direita mineira.






