Homem de 102 anos reconhece filha após décadas de espera

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Elizar Moreira Silva, 102 anos, e Ana Lúcia após reconhecimento oficial de paternidade (Foto: Instagram)

Aos 102 anos, Elizar Moreira Silva, um lavrador aposentado do Maranhão, reconheceu oficialmente sua filha Ana Lúcia Ferreira Rodrigues Moreira, uma cabeleireira de 52 anos residente em Ceilândia Norte, Distrito Federal. Após mais de cinquenta anos, Ana Lúcia agora possui o nome e sobrenome do pai em seus documentos, graças ao Programa “Pai Legal” do Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), que já ajudou 18 mil pessoas a reconhecerem a paternidade ao longo de 24 anos.

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Ana Lúcia revelou ao Metrópoles no sábado (8/8), um dia antes do Dia dos Pais, que, embora tivesse um relacionamento próximo com o pai, a ausência do nome dele nos documentos sempre a incomodou. Agora, ela finalmente adicionou o “Moreira” ao seu nome.

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“É como se eu tivesse um pai e não tivesse ao mesmo tempo. Essa era a minha sensação”, compartilhou Ana Lúcia, destacando a importância de ter o nome do pai em seus documentos.

Ela sempre manteve um vínculo próximo com o pai, mesmo após ter saído de casa aos sete anos para estudar na cidade. “Meu pai sempre foi um herói, um lutador”, disse Ana Lúcia em um comunicado à imprensa da Promotoria. “Meu sonho era ter o nome dele nos meus documentos”, completou.

Ana Lúcia é a nona de 12 irmãos, sendo a primeira a ser registrada. Com o falecimento de dois irmãos e da mãe, os nove irmãos restantes também planejam buscar o mesmo reconhecimento.

A história teve início em 1974, em Itapecuru Mirim (MA), onde Ana Lúcia nasceu. Na época, seus pais eram casados apenas no religioso, e seu pai, que vivia no interior trabalhando na roça, não dava importância aos documentos.

Enquanto o tempo passava, Ana Lúcia seguiu sua vida. Aos sete anos, mudou-se para a casa de um médico em Perna (MA) para cuidar dos filhos dele, permanecendo lá por um ano. Aos oito, foi morar com a irmã na zona urbana de Itapecuru Mirim (MA), onde viveu até os 15 anos, quando se casou pela primeira vez.

Do primeiro casamento, ela teve três filhos e, em 2000, mudou-se para Brasília. Hoje, Ana Lúcia está em seu segundo casamento e tem três netos, cujos nomes gosta de recitar. Ela visita o pai e os irmãos que permaneceram no Maranhão sempre em janeiro e no aniversário dele. Seu Elizar tem 106 netos e bisnetos.

Para realizar o sonho de ter o nome do pai em seus documentos, Ana Lúcia contou com a ajuda de amigos. Ela conheceu o Programa Pai Legal através de uma amiga no centro de Ceilândia e iniciou o processo no MPDF.

Seu pai precisou viajar do Maranhão para Brasília para assinar documentos reconhecendo Ana Lúcia como sua filha. Além disso, ele fez testes de DNA para confirmar sua declaração.

“Eu corri atrás. E meu pai, aos 102 anos, me registrou”, resumiu Ana Lúcia.

O Programa Pai Legal, que opera no Distrito Federal desde 2002, possibilita a investigação e reconhecimento de paternidade gratuitamente. Quando há consenso entre as partes, o reconhecimento pode ser feito diretamente em cartório, sem necessidade de processo judicial.

Em 24 anos, o programa iniciou quase 130 mil investigações de paternidade e realizou cerca de 18 mil reconhecimentos, incluindo mutirões em várias regiões administrativas do Distrito Federal, além de atividades em escolas, cartórios e órgãos de identificação civil.

Nos primeiros seis meses de 2026, aproximadamente 2.500 mães foram convidadas a iniciar procedimentos de investigação de paternidade, resultando em 716 reconhecimentos.

Todos os meses, os cartórios de registro civil do Distrito Federal enviam à Promotoria de Justiça de Filiação e Registros Públicos (Profirp) cerca de 250 registros de nascimento sem identificação de paternidade.

A promotora de Justiça Ana Paula Tomás destaca que a atuação administrativa assegura direitos de crianças e adolescentes, além de permitir que adultos tenham sua filiação reconhecida.

“O reconhecimento da paternidade permite reconstruir histórias, definir direitos ancestrais e conferir cidadania plena a adultos”, afirma Ana Paula Tomás.

A filiação está ligada a direitos como convivência familiar, prestação de alimentos e identidade. A Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garantem que não deve haver discriminação entre filhos.

Para Ana Lúcia, o resultado teve um significado pessoal: “Meu sonho era ter o nome dele no meu documento”.

Serviço
Para solicitar investigação de paternidade, entre em contato com a Promotoria de Justiça de Filiação (Profirp) do MPDF. Celular e WhatsApp: (61) 99363-5627. Telefones fixos: (61) 3343-9557, 3343-9964 e 3343-9876. Email: paternidade@mpdft.mp.br