
Virginia Fonseca e a polêmica da soroterapia (Foto: Instagram)
Recentemente, Virginia Fonseca chamou a atenção ao revelar que fez uso da soroterapia durante uma estadia nos Estados Unidos. Após sofrer com uma gripe, a influenciadora afirmou ter se sentido melhor após o procedimento. A prática tem se tornado popular entre celebridades. Mas será que é realmente necessária?
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Segundo a médica Giselle Mello, a medicina baseada em evidências é clara: para a maioria das pessoas saudáveis, não há evidências científicas sólidas que sustentem os benefícios da soroterapia para esses fins.
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“É importante esclarecer que a terapia intravenosa tem aplicações médicas legítimas. Ela é essencial em hospitais para pacientes desidratados, desnutridos, internados, com dificuldades de absorção intestinal ou com deficiências nutricionais comprovadas. Nesses casos, é uma intervenção médica baseada em diagnóstico, indicação precisa e monitoramento clínico”, explicou à coluna Fábia Oliveira.
O problema, conforme aponta a médica, surge quando esse procedimento é vendido como uma solução universal para quem busca “mais disposição”, “melhor desempenho” ou “mais juventude”.
“O corpo humano possui mecanismos extremamente eficientes para absorver vitaminas e minerais através da alimentação e, quando necessário, por suplementação oral”, destacou.
A administração intravenosa não torna esses nutrientes automaticamente mais eficazes. Pelo contrário, quando feita sem necessidade clínica, pode expor o paciente a riscos evitáveis.
Entre as complicações possíveis estão: 1. Reações alérgicas graves e anafilaxia; 2. Infecções relacionadas ao acesso venoso e flebites; 3. Sobrecarga de líquidos e distúrbios metabólicos; 4. Intoxicações por excesso de vitaminas e minerais. Muitas pessoas esquecem que vitaminas também têm toxicidade. As hipervitaminoses podem causar danos ao fígado, problemas renais, alterações neurológicas e outros problemas sérios”, detalhou.
Outro ponto preocupante, segundo Giselle Mello, é que muitos protocolos de soroterapia usam combinações de substâncias sem respaldo científico consistente para as finalidades anunciadas.
“Em alguns casos, não há sequer estudos clínicos de boa qualidade que demonstrem a segurança e eficácia dessas combinações”, afirmou.
Outro aspecto que merece atenção é a falsa sensação de prevenção que esses tratamentos podem proporcionar.
“Algumas pessoas acreditam que uma sessão periódica de soroterapia substitui hábitos que realmente impactam a saúde: alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, controle do estresse, vacinação e acompanhamento médico regular”, destacou a médica.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recentemente reforçou que não há comprovação científica dos benefícios da soroterapia para pessoas saudáveis e alertou sobre os riscos do uso indiscriminado dessas infusões. O órgão também recomenda verificar se os produtos utilizados são regularizados, se o profissional é qualificado e se o procedimento possui reconhecimento técnico pelos conselhos profissionais competentes.
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