Desafios da Saúde no Campo: Acesso e Prevenção para Trabalhadores Rurais

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Produtor rural e filha acompanham visita do Saúde no Campo a cavalo (Foto: Instagram)

Levantar-se antes do amanhecer e passar o dia entre plantações, animais e máquinas, encerrando o trabalho apenas ao anoitecer, é a rotina de muitos trabalhadores rurais no Brasil. Nesse contexto, cuidar da saúde pessoal frequentemente é deixado de lado.

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A dificuldade de acesso a consultas médicas e exames, somada às grandes distâncias até os centros de saúde e à dinâmica do trabalho no campo, explica por que muitos trabalhadores rurais buscam atendimento somente quando os sintomas se agravam.

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O programa Saúde no Campo, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), completou um ano, atendendo mais de 55 mil trabalhadores em 827 municípios de 25 estados. Foram feitas mais de 96 mil visitas por técnicos de saúde às propriedades rurais.

Com foco na prevenção de doenças e promoção da saúde, o programa oferece acompanhamento contínuo, orientações sobre hábitos saudáveis e encaminhamento para a rede pública quando necessário.

O produtor Wilmar Feitosa, que há 15 anos cultiva hortaliças em Alto Paraguai, Mato Grosso, conhece bem essa realidade. Ele começa seu dia às 5h da manhã, terminando apenas às 18h.

“A principal dificuldade era a falta de tempo para ir até uma unidade de saúde próxima”, relata. Na prática, conseguir atendimento médico ou realizar exames ainda é um desafio.

A experiência de Wilmar reflete uma realidade comum no país. Renilson Rehem, diretor de Saúde e Promoção Social do Senar, aponta que o acesso limitado aos serviços de saúde é uma das grandes barreiras para a população rural.

“A distância dos serviços, dificuldades de deslocamento, disponibilidade limitada de profissionais e a rotina de trabalho retardam a busca por atendimento”, explica.

Ele observa que há uma cultura no meio rural de priorizar o trabalho em detrimento da saúde.

“Muitas vezes, as pessoas só procuram atendimento quando os sintomas estão avançados, o que retarda o diagnóstico de condições que poderiam ser tratadas precocemente”, destaca.

Hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares são comuns entre os trabalhadores rurais. Rehem ressalta que o envelhecimento da população e a falta de ações preventivas agravam essas condições.

“Os desafios vão além das condições clínicas, envolvendo fatores sociais, econômicos e territoriais que impactam a saúde e qualidade de vida das famílias rurais”, afirma.

Érika Bommer, diretora adjunta do Senar, afirma que doenças crônicas são frequentes entre os participantes do programa.

“Hipertensão, diabetes, sobrepeso e questões de saúde mental são condições frequentemente identificadas”, comenta.

Ela enfatiza que muitas famílias precisam de orientações sobre vacinação, alimentação saudável, atividade física e uso correto de medicamentos.

“O programa adota uma visão abrangente da saúde, considerando não apenas as doenças já presentes, mas também os fatores de risco”, acrescenta.

Embora a distância até hospitais seja um problema conhecido, Érika ressalta que muitos serviços de saúde ainda operam com uma lógica urbana, inadequada para as necessidades rurais.

“Horários incompatíveis, dificuldades para marcar consultas, escassez de profissionais e limitações de transporte são comuns”, cita.

Ela explica que muitas comunidades rurais não têm transporte público regular, dificultando o acesso aos serviços. Iniciativas que aproximem o cuidado das propriedades e utilizem telessaúde podem ajudar a superar essas barreiras.

O Saúde no Campo busca oferecer orientações e acompanhamento diretamente às famílias rurais. Durante visitas, técnicos monitoram indicadores de saúde e orientam sobre prevenção de doenças.

Além de saúde individual, o programa aborda saneamento básico, qualidade da água, destinação de lixo e condições de moradia.

Cerca de 20 mil participantes relataram doenças e passaram a receber orientações individualizadas para controle e prevenção.

Para Wilmar, o acompanhamento trouxe mudanças significativas. “Mudou muita coisa. Temos acompanhamento mensal de uma profissional que esclarece dúvidas sobre saúde”, afirma.

Entre as mudanças estão hábitos que antes eram negligenciados. “Recebemos orientações sobre alimentação saudável e importância da atividade física. Hoje, fazemos caminhadas e exercícios”, diz.

Renilson destaca que esse acompanhamento pode ser crucial no controle de doenças crônicas. “Com orientação contínua, as pessoas aderem melhor aos tratamentos e monitoram mais adequadamente sua saúde”, conclui.

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