
Foto de Paulo Cézar Souza Nascimento Júnior, o “Paulinho Neblina”, no Instituto de Criminalística Leonídio Ribeiro. (Foto: Instagram)
A Justiça Federal autorizou a transferência de Paulo Cézar Souza Nascimento Júnior, conhecido como Paulinho Neblina, do Primeiro Comando da Capital (PCC), de uma prisão de segurança máxima para um hospital psiquiátrico. Essa decisão, tomada em maio, foi baseada em um laudo que atestou uma doença mental grave, agravada pelas condições do presídio.
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Paulinho Neblina, com 53 anos, tem um longo histórico de detenções em várias prisões. Antes da transferência, ocorrida em 1º de junho, ele estava há oito anos na Penitenciária Federal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Atualmente, ele está no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Taubaté, São Paulo.
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A 5ª Vara Federal Criminal de Campo Grande autorizou a transferência com base no laudo de insanidade mental, recebido pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul em 11 de maio. O laudo apontou sintomas psicóticos agudos, como delírios persecutórios e alucinações auditivas, além da Síndrome de Capgras.
Conforme o laudo, desde 2023, os sintomas de Paulo Cézar têm se agravado, incluindo automutilação e recusa de alimentos da prisão, por acreditar que estão envenenados. Ele só aceita comida entregue por sua esposa.
O diagnóstico da equipe médica inclui transtorno bipolar afetivo e episódio depressivo grave com sintomas psicóticos. Paulo Cézar também sofre da doença de Crohn, que requer cuidados constantes.
Juridicamente, a transferência é respaldada pelo artigo 183 da Lei de Execução Penal, que permite substituir a pena por medidas de segurança em casos de doença mental surgida após a condenação.
A resolução nº 24 do Sistema Penitenciário Federal também foi aplicada, permitindo a devolução do detento ao estado de origem quando o tratamento é inviável em presídios federais.
O laudo destaca que o isolamento prolongado agrava os sintomas de Paulo Cézar, e que mesmo com medicamentos fortes, não houve melhora significativa.
No início do ano passado, foi revelado um esquema do PCC para realizar procedimentos estéticos em líderes presos, incluindo botox e clareamento dentário. Paulo Cézar foi mencionado, junto com outros líderes como Andinho e Gegê do Mangue, atendidos por médicos contratados pelo PCC.
A investigação começou em setembro de 2021, quando drogas e cartões de memória foram encontrados com uma mulher na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Descobriu-se que o PCC tinha uma vertente de saúde, com serviços prestados por uma ONG criada pela facção.
Em 2025, a Polícia Civil divulgou um relatório sobre a ONG Pacto Social e Carcerário, acusada de ser um braço do PCC. Familiares de Paulinho Neblina foram entrevistados para o documentário "O Grito", que aborda o sistema penitenciário e as dificuldades enfrentadas por famílias de detentos.
O documentário, lançado na Netflix em setembro de 2024, conta com participações de figuras como Luís Roberto Barroso e Anielle Franco, além de rappers como Dexter e Oruam. Entrevistas com familiares de outros presos, como Marcola e Marcinho VP, também estão incluídas.






