
A sombra paterna: Flávio Bolsonaro assume Alerj aos 23 anos (Foto: Instagram)
O filho que opta por seguir a mesma carreira do pai pode ser visto como alguém indeciso, acomodado e obediente. Esse filho, incerto sobre o que fazer da vida, encontra no pai um guia que ordena a seguir seus passos. O caminho já trilhado parece mais seguro. Nesse momento, o descendente enfrenta a escolha entre a rebelião e a submissão. No primeiro cenário, há risco e coragem; no segundo, a vida se desenrola à sombra do pai, como um satélite menor, com uma vontade de potência limitada.
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Imagino Flávio Bolsonaro assumindo uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 2003, aos 23 anos, com a alegria e ignorância típicas da idade. A presença de Queiroz em seu gabinete lembra a de um tutor, simbolizando o controle paterno. Se não foi Aristóteles ensinando filosofia a Alexandre, talvez tenha sido um curso prático das rachadinhas de Jair. Duas décadas depois, a direita tem um candidato à espera de um pai.
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Não sou especialista em psicologia, mas sugiro terapia. Não pretendo usar inteligência artificial para fingir erudição, nem buscar hipóteses para esta sombra paterna.
Pesquisei sobre Nicolás Maduro Guerra, conhecido como "Nicolasito". Quem adivinhar quem é seu pai ganha uma frigideira de indução. Sua carreira se resume a nomeações dentro do chavismo, sem uma trajetória política como a de Maduro, que foi motorista e líder sindical, deputado, presidente da Assembleia Nacional, chanceler, vice, presidente, ditador, até ser preso nos EUA. Como deputado, ocupou o cargo de Coordenador da Escola Nacional de Cinema da Venezuela sem experiência na área. Em 2015, foi filmado dançando enquanto dólares eram jogados sobre sua cabeça num casamento.
Em Israel, o caso de Yair Netanyahu segue uma lógica diferente. Se fosse um Bolsonaro, talvez se assemelhasse a Carluxo. Filho do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Yair é conhecido por sua atuação nas redes sociais e defesa das posições do pai, com agressividade e fake news. Sua visibilidade vem mais de sua condição de herdeiro político. Enquanto soldados morrem e matam civis na Palestina e no Líbano, ele vive confortavelmente em Miami.
O caso mais dramático é o de Bashar al-Assad. Diferente dos outros, ele realmente herdou o poder do Estado. Seu pai, Hafez al-Assad, construiu um dos regimes mais duradouros do Oriente Médio após anos de atuação militar e política. Bashar, que era médico oftalmologista e não o herdeiro designado, só foi preparado para a sucessão após a morte de seu irmão mais velho, Bassel al-Assad. Ao assumir a presidência em 2000, herdou um sistema político consolidado, mas nunca conseguiu replicar a autoridade do pai. Após treze anos de guerra civil, seu regime colapsou em dezembro de 2024, encerrando mais de cinco décadas de domínio da família Assad na Síria, sendo ainda mais sanguinário.
Diferente é a história de Alina Fernández, filha do ex-presidente cubano Fidel Castro com Natalia Revuelta. Insatisfeita com o regime, ela deixou Cuba usando um passaporte espanhol falso e disfarçada de turista. Estabelecendo-se em Miami, nos EUA, tornou-se uma militante anticastrista, denunciando as violações de direitos humanos em Cuba. Em 1998, publicou uma autobiografia expondo sua relação familiar conturbada e críticas ao sistema político cubano. Suas posições podem ser criticadas, mas não sua coragem.



