Justiça aceita denúncia e Deolane Bezerra vira ré por lavagem de dinheiro

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Deolane Bezerra durante o cumprimento de prisão preventiva em Tupi Paulista (Foto: Instagram)

A Justiça aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, acusando-a de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. As investigações sugerem que Deolane integra o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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A denúncia foi apresentada pelo promotor Lincoln Gakiya em 10 de junho. Além de Deolane, foram denunciados Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, líder do PCC; seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; seus sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; e Everton de Souza, chamado de Player ou Temer, que é considerado o operador financeiro da organização.

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De acordo com o documento obtido pelo Metrópoles, Deolane teria recebido valores ilícitos da Transportadora Lado a Lado, que opera em favor do PCC. A investigação revelou que uma conta bancária dela foi usada para receber depósitos fracionados da empresa de fachada, com movimentações que não condizem com sua capacidade econômica declarada, totalizando R$ 27.002.774,72.

Áudios enviados a uma diarista também sugerem que Deolane guardava valores do crime organizado em seus imóveis e nos de seus filhos. Segundo o MPSP, ela planejava transferir as empresas do crime organizado para fundos em Dubai, com o objetivo de internacionalizar os negócios do PCC e facilitar a entrada de capital estrangeiro.

Atualmente, Deolane está detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Sua defesa tem 10 dias para apresentar uma resposta à acusação.

O Metrópoles entrou em contato com a defesa de Deolane e aguarda um posicionamento. O espaço está aberto.

DEMAIS DENUNCIADOS
Marcola, líder do PCC, também foi acusado de ser o destinatário final dos repasses financeiros operados pela transportadora, com depósitos documentados em seu favor. Manuscritos apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau indicam que ele dava ordens sobre o esquema. Marcola está atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília.

Seu irmão, Alejandro Juvenal, e seus sobrinhos Paloma Sanches e Leonardo Alexsander também tiveram seus papéis no esquema detalhados na denúncia. Alejandro seria co-proprietário oculto da Transportadora Lado a Lado, enquanto seus filhos atuavam como mensageiros e intermediários no esquema de lavagem de dinheiro.

Everton de Souza, conhecido como "Player", atuava como operador financeiro de Alejandro, ligando a liderança do PCC ao gestor da empresa de fachada. Ele coordenava os repasses financeiros, indicando contas para recebimento dos valores ilícitos, e foi quem indicou a conta de Deolane para receber R$ 14.500,00 — parte de um total de R$ 29.000,00 a ser dividido entre os irmãos líderes do PCC.

ENTENDA A CRONOLOGIA DA OPERAÇÃO CONTRA DEOLANE E O PCC
A investigação começou em 2019, quando bilhetes foram apreendidos com detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos revelaram detalhes sobre a dinâmica interna do PCC, a atuação de suas lideranças e possíveis ataques a agentes públicos. A Polícia Civil identificou a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de servidores públicos para ajudar no planejamento dos ataques do PCC, levando à descoberta da transportadora e ao início de uma nova fase da investigação.

A operação, chamada Lado a Lado e deflagrada em 2021, revelou o uso da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem justificativa. Durante a operação, foi apreendido um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane, além de vínculos estreitos entre ela e um dos gestores fantasmas da transportadora. Deolane passou a ser um foco importante na investigação devido a movimentações financeiras significativas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de ligação com o comando do PCC. As investigações apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e compra de bens de luxo, o que fundamentou o desdobramento mais recente da operação.

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