Operação do MPSP prende sucessor de líder do PCC investigado por morte de ex-delegado

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William Nascimento Boaventura, o “Bel”, é preso em São Vicente durante Operação Patrocínio Fiel contra o PCC. (Foto: Instagram)

William Nascimento Boaventura, conhecido como "Bel" ou "Bolacha", foi detido na quarta-feira (12/8) durante uma operação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele é o sucessor direto de Fernando Gonçalves dos Santos, apelidado de Azul ou Colorido, que está sob investigação por suposto envolvimento na execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz, ocorrida em setembro do ano anterior.

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Desde abril de 2022, Colorido está preso no sistema penitenciário federal e é apontado como o líder máximo do tráfico internacional de drogas na Baixada Santista, litoral de São Paulo. Ele gerenciava o escoamento de drogas pelo Porto de Santos e foi o responsável por introduzir Bel na facção.

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Bel foi capturado durante a Operação Patrocínio Fiel, promovida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que visava prender sete líderes do PCC envolvidos no sequestro, tortura e ameaça a um advogado na Baixada Santista. A Justiça ordenou a prisão dos investigados e o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão em cidades como Guarujá, São Vicente, Praia Grande e Cubatão, além de Florianópolis, em Santa Catarina.

A trajetória de Boaventura no PCC começou no bairro do Bitaru, em São Vicente, onde ganhou o apelido de "Bel do Bitaru". Sua entrada na facção foi apadrinhada por Colorido, que mesmo preso na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, continuava a coordenar atividades criminosas através da advogada Janaína Maria Rodrigues Rosa.

Em fevereiro de 2019, após a transferência da cúpula do PCC para o sistema penitenciário federal, Bel teve a oportunidade de crescer na organização. Ele se tornou o sucessor de confiança de Colorido, gerenciando os negócios na Baixada Santista e executando suas ordens, com Janaína repassando os comandos da prisão para o exterior.

Bel deixou de ser apenas um operador local e assumiu um cargo estratégico na facção, ingressando na Sintonia dos 14, conforme um processo judicial obtido pelo Metrópoles. Ele passou a responder diretamente à Sintonia Final Geral, liderada por figuras como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

As investigações indicam que Bel assumiu o controle do tráfico na Baixada Santista, articulando a reabertura de pontos estratégicos, como na favela México 70, em São Vicente. Ele também se envolveu no tráfico internacional, coordenando a aquisição de grandes carregamentos de cocaína vindos de Corumbá, movimentando mais de R$ 200 mil em curtos períodos.

Para lavar o dinheiro do tráfico, Bel utilizava uma estrutura complexa, incluindo as contas bancárias da advogada Janaína para receber depósitos de várias cidades paulistas, além de contar com outros associados para ocultar capitais.

Mesmo em liberdade condicional, Bel continuou a coordenar a facção, desrespeitando restrições judiciais. Sua trajetória foi interrompida quando o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acessou os dados em nuvem de Janaína, revelando a contabilidade detalhada do tráfico e confirmando sua promoção a um alto cargo na facção.

O Metrópoles não conseguiu contato com a defesa de Boaventura, mas o espaço está aberto para manifestação.