Coletivos usam arte na Cracolândia como estratégia de tratamento

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Coletivo “Pagode na Lata” leva rodas de samba à Cracolândia (Foto: Instagram)

O atendimento aos frequentadores da Cracolândia, no centro da capital paulista, vai além das equipes do governo estadual e da Prefeitura de São Paulo. Organizações não governamentais e coletivos sem fins lucrativos também atuam na região há anos, oferecendo alternativas de tratamento, lazer e educação. Um dos métodos mais comuns entre esses grupos é a Redução de Danos, estratégia implementada no Brasil nos anos 80, inicialmente em Santos, durante a epidemia de HIV.

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A partir de maio de 2025, com a dispersão dos dependentes químicos, essas organizações precisaram adaptar suas abordagens para continuar acolhendo essa população. Coletivos como "Teto, Trampo e Tratamento" (TTT) e "Pagode na Lata" reorganizaram suas atividades, focando principalmente em Centros de Atenção Psicossocial (Álcool e Drogas). Mesmo assim, representantes dos grupos relatam uma diminuição no número de assistidos.

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Ambos os coletivos investem em arte e educação como forma principal de estabelecer vínculo com os usuários, oferecendo apoio e dignidade. De acordo com os ativistas, a política do trabalho é antiproibicionista, ou seja, não exige abstinência total dos usuários para que recebam atendimento.

O "Teto, Trampo e Tratamento" promove oficinas e encontros durante a semana, abordando temas como letramento e pensamento crítico, além de ritmo e escrevivências. Também incentivam a educação financeira através da Operação Trabalho (POT), que em parceria com a prefeitura, oferece vagas focadas na inclusão social e qualificação profissional para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Lydia Gama, advogada e coordenadora do TTT, afirma que a arte, especialmente os encontros de bateria na Praça General Osório, é o que mais conecta os participantes ao coletivo. A produção artística abre caminhos para a profissionalização, ajudando os participantes a se reorganizarem e se afastarem do cenário de vulnerabilidade social.

O "Pagode Na Lata" segue a mesma linha e é composto por 10 integrantes, sendo seis ex-moradores ou frequentadores da Cracolândia. Antes restrito ao fluxo, o coletivo agora se apresenta em diversos locais, gerando renda para os participantes.

Leonardo dos Santos, membro do "Pagode na Lata" e ex-orientador do programa De Braços Abertos, destaca que o impacto das rodas de samba vai além dos músicos, envolvendo também o público que acompanha as apresentações. O grupo oferece escuta ativa, informações sobre tratamento e momentos de lazer, essenciais na política de Redução de Danos.

A estratégia de Redução de Danos foi implementada oficialmente na Cracolândia através do programa De Braços Abertos, durante a gestão do ex-prefeito Fernando Haddad em 2014. Focada em direitos humanos, a política busca preservar a integridade dos usuários enquanto fazem uso de substâncias. Pesquisa da Uerj mostrou que 87,90% dos participantes reduziram o consumo de crack após o programa.

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