Sangue humano pode ter sido usado em pinturas rupestres de 2 mil anos na China

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Sangue como fixador: arte rupestre de 2 mil anos na China (Foto: Instagram)

Pinturas rupestres criadas há mais de dois mil anos no sul da China podem ter sido feitas com sangue humano e animal. Pesquisadores identificaram proteínas ligadas ao sangue em uma camada utilizada para fixar o pigmento vermelho nas paredes de calcário.

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O estudo, divulgado em 23 de julho no Journal of Archaeological Science, examinou as pinturas de Huashan, na região autônoma de Guangxi, China. A descoberta esclarece como as imagens se mantiveram conservadas por séculos em um ambiente quente, úmido e sujeito a chuvas intensas.

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Apesar disso, o sangue não era a fonte do vermelho. Segundo os estudos, o pigmento provinha principalmente de argila rica em hematita, um mineral com ferro. O sangue fazia parte de uma mistura colocada entre a rocha e o pigmento, atuando como agente de ligação.

As obras fazem parte da paisagem cultural de arte rupestre de Zuojiang Huashan, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2016. O conjunto abrange mais de 80 sítios ao longo de cerca de 260 quilômetros no vale do rio Zuojiang.

As pinturas retratam principalmente figuras humanas, animais e objetos. A produção é atribuída aos Luoyue, povos que habitaram a região entre o século V a.C. e o século II d.C.

Para identificar os materiais usados, os pesquisadores analisaram fragmentos que já haviam se soltado das rochas em três sítios: Gaoshan, Daningshan e Tunpingshan.

As análises revelaram três componentes principais: a parede de calcário, uma fina camada de fixação e, acima, o pigmento vermelho. A camada intermediária continha carbonato de cálcio, fosfato de cálcio e proteínas associadas ao sangue.

Com base nos resultados, os cientistas reconstruíram uma possível técnica usada pelos antigos artistas. Eles sugerem que uma mistura de cal, fosfato de cálcio e sangue foi aplicada sobre o calcário. Em seguida, o pigmento de argila vermelha era adicionado.

As proteínas do sangue ajudariam na formação de uma estrutura mineral densa, capaz de manter as partículas de hematita aderidas à parede. Segundo os pesquisadores, essa técnica pode ter contribuído para a preservação das imagens por mais de dois mil anos.

A análise das proteínas detectou sinais compatíveis com sangue humano e animal. Os autores também sugerem que parte do sangue humano poderia ter vindo de mulheres durante o parto, hipótese relacionada a práticas culturais e à importância da fertilidade entre os Luoyue.

Os cientistas tentaram extrair DNA das amostras para obter informações mais detalhadas, mas não tiveram sucesso. O ambiente alcalino criado pelos materiais da mistura pode ter degradado o material genético ao longo do tempo. Por isso, a pesquisa não identifica quem forneceu o sangue, nem determina o sexo das pessoas ou como ele foi obtido.

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