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Resgates emocionantes são rotina para pilotos de motolâncias do Samu-DF

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Samu-DF acelera socorro com motolâncias em Brasília (Foto: Instagram)

Um resgate que desafiou o trânsito e o tempo ganhou destaque nas redes sociais recentemente. O vídeo, com mais de 1 milhão de visualizações, mostra dois socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-DF) em motocicletas abrindo caminho entre os carros para permitir a passagem de uma ambulância que transportava um paciente em estado grave.

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A gravação, repleta de momentos de tensão e adrenalina, ocorreu na área central de Brasília, em março deste ano. Naquele momento, a equipe do Samu-DF foi chamada para atender uma mulher de 29 anos que sofreu uma crise convulsiva, que evoluiu para parada cardíaca.

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O vídeo mostra as motolâncias abrindo caminho entre os veículos, enquanto a ambulância segue pela contramão para garantir agilidade no socorro. O objetivo era levar a paciente ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Nos comentários da postagem, internautas expressaram emoção com a rapidez e eficiência da equipe em salvar uma vida.

“O profissional teve coragem de entrar na contramão, em uma curva do Eixão, em alta velocidade, arriscando a própria vida para salvar outra. Máximo respeito”, escreveu um usuário.

“Chorei e não foi pouco. Parabéns aos socorristas, que até nesse momento correm risco de acidentes para salvar uma vida”, comentou outra internauta.

MOTOLÂNCIAS
As motolâncias do Samu, muitas vezes não notadas pela população nas ruas do DF, são sinônimo de agilidade e funcionam como um pronto-socorro em situações de emergência. Somente no ano passado, esse serviço foi responsável por 4.712 atendimentos de urgência na capital.

No total, são 23 técnicos de enfermagem e enfermeiros que andam sempre em duplas, treinados para chegar rapidamente e prestar o primeiro atendimento. Atrás delas, vem o restante da equipe em ambulâncias.

Os socorristas que aparecem na filmagem da cena de ação são Ademir Lourenzo de Oliveira, 45 anos, e Marcos Luiz Silva, 50. Eles são uma das duplas que compõem o Grupamento de Motociclistas em Atendimento de Urgência (Gmau).

“Um dos grandes diferenciais do serviço de motolância é o tempo-resposta. Você vê que faz diferença na vida das pessoas, porque conseguimos chegar muito rápido ao atendimento, seja em um trabalho de parto, acidente ou uma parada cardíaca. A primeira resposta é do grupo de motolâncias”, conta Ademir.
O técnico de enfermagem explica que esse serviço permite que muitos casos sejam resolvidos no local, evitando que pacientes ocupem leitos hospitalares desnecessariamente. Quando o transporte é necessário, a motolância prepara e estabiliza o paciente para que a ambulância complete o trajeto com segurança.

Ataduras, desfibrilador, monitor cardíaco, material de parto e uma variedade de medicamentos vão no baú das motos para garantir o atendimento pré-hospitalar necessário.

Além de prestarem socorro, as motolâncias atuam abrindo caminho no trânsito para as ambulâncias. As manobras vistas no vídeo não são fruto de imprudência, mas de “treinamento constante”. Ademir enfatiza que a segurança da equipe, do paciente e dos demais motoristas é a prioridade.

Sobre a relação com os motoristas brasilienses, ele destaca que o trabalho das motos também serve para alertar quem está no volante.

“Às vezes, o motorista está com som alto ou desatento. A gente auxilia os usuários da via para que percebam que um veículo de emergência está passando”, explica.

Segundo o técnico de enfermagem, a agilidade na escolta é crucial porque, após a estabilização inicial, o diagnóstico da causa de uma parada cardíaca, por exemplo, só pode ser feito com exames hospitalares. “Se não chegarmos rápido ao hospital para tratar a causa, ela pode evoluir para uma nova parada”, frisa.

“HERÓIS”
O que começou como uma ferramenta didática para revisar procedimentos e compartilhar experiências com colegas de outros estados transformou-se em um fenômeno motivacional. O perfil de Ademir no Instagram, que já acumula mais de 25 mil seguidores, serve de vitrine para o trabalho do Gmau.

“Muita gente nem sabia que tinha o serviço de motolância. Hoje, os vídeos inspiram outras pessoas a quererem ingressar na área. Recebemos muitas perguntas de como trabalhar no Samu”, conta.

Com mais de duas décadas na Secretaria de Saúde e desde 2009 no Samu, Ademir resume o sentimento de quem atua na linha de frente sobre duas rodas: “Independentemente da ocorrência, da mais simples à mais grave, o que importa é chegar e fazer a diferença na vida daquela pessoa. Isso, para a gente, é a gratidão e a sensação de dever cumprido.”

E o desfecho do atendimento que viralizou não poderia ter sido melhor. A paciente entrou em contato pelas redes sociais para agradecer a Ademir. “Você salvou minha vida. Sou muito grata. Se hoje estou aqui, é graças a anjos como você que estiveram comigo naquele momento”, escreveu ela.
Para Ademir, embora o público use o termo “heróis” ou “anjos da guarda”, a palavra de ordem é “preparação”.

“Não tem esse negócio de herói. A gente é preparado para atuar nessa função, somos treinados para que isso aconteça. A gente fica muito feliz com o retorno dos pacientes, claro”, destaca.

ATUAÇÃO INTEGRADA
Embora o Samu e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) atuem em frentes semelhantes, a gerente de atendimento pré-hospitalar do Samu-DF, Thays Nadja, explica que as naturezas das instituições são distintas e complementares.

Enquanto o Samu é um braço da Secretaria de Saúde focado em casos clínicos e traumas graves, os bombeiros estão ligados à Secretaria de Segurança.

“O Samu atende principalmente situações graves e clínicas, mas no trauma trabalhamos de forma integrada. Se um paciente está preso nas ferragens, precisamos que os bombeiros façam o desencarceramento para que nossa equipe de saúde possa acessar a vítima”, esclarece Thays.

Para manter o serviço operando com precisão, o Samu-DF investe pesado no núcleo de educação, que é referência nacional. Na última semana, um curso de capacitação foi realizado no Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) não apenas para atualizar quem já está na rua, mas para resgatar servidores que estavam afastados por licenças e desejavam retornar ao Gmau.

“A educação é o que diminui as falhas. Nas motos, o erro não pode existir, porque está em jogo a segurança do transeunte e do próprio socorrista”, afirma Thays.
O Samu-DF possui estrutura capaz de cobrir toda a capital, dividida em sete núcleos regionais. É dentro desses núcleos que as 10 duplas de motolâncias e as 38 ambulâncias (31 de suporte básico e 7 de suporte avançado) ficam estrategicamente distribuídas.

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