
Papa Leão XIV em discurso contra a degradação ambiental na Terra dos Fogos (Foto: Instagram)
O papa Leão XIV condenou os lucros "vertiginosos" obtidos por empresas à custa da destruição do meio ambiente. A declaração ocorreu neste sábado (23/5) durante uma visita à área conhecida como "Terra dos Fogos", em Acerra, na Campânia, localizada a cerca de 220 quilômetros ao sul de Roma. A região é famosa por ser alvo de despejo ilegal de lixo tóxico.
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Diante de aproximadamente 15 mil fiéis, o pontífice conclamou o mundo a "rejeitar as tentações de poder e enriquecimento associadas a práticas que poluem a terra, a água, o ar e a convivência social". Ele também criticou a atuação do crime organizado e a omissão do poder público, além de defender a responsabilidade coletiva e a justiça ambiental.
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O local visitado pelo papa, a "Terra dos Fogos", tem cerca de três milhões de habitantes e recebeu esse nome devido à prática frequente de queima de resíduos industriais ao ar livre, muitas vezes vindos do norte da Itália. Durante décadas, solos, lençóis freáticos e o ar foram contaminados por metais pesados, dioxinas e partículas poluentes, comprometendo a saúde da população. Estudos indicam índices de câncer superiores à média nacional nessa área.
No primeiro discurso do dia, Leão XIV denunciou "uma mistura mortal de interesses obscuros e de indiferença ao bem comum, que envenenou o ambiente natural e social".
CAMORRA A "Terra dos Fogos", também chamada de "Triângulo da Morte", funcionou como local de descarte irregular desde o fim dos anos 1980, quando empresas começaram a enviar resíduos tóxicos para a região para economizar. Em vez de investir no tratamento adequado do lixo, que demanda altos custos, as companhias recorreram à Camorra, uma organização mafiosa sediada na região de Nápoles, pagando menos para eliminar materiais perigosos clandestinamente.
Entre os resíduos descartados estão placas de amianto, pneus e recipientes industriais com substâncias químicas, frequentemente queimados ao ar livre, agravando a poluição atmosférica. Investigações parlamentares realizadas desde 2013 apontaram falhas graves de fiscalização por parte das autoridades públicas e, em alguns casos, indícios de conivência com o esquema ilegal.
Em janeiro de 2025, o tribunal europeu concluiu que as autoridades italianas falharam repetidamente em agir para impedir o despejo ilegal de detritos na região visitada pelo pontífice.
“A BELEZA É FRÁGIL” Em seu pronunciamento, Leão XIV retomou o tema da fragilidade ambiental para enfatizar a necessidade de responsabilidade coletiva. "Na vida, entendemos que quanto mais uma beleza é frágil, mais exige atenção e responsabilidade", afirmou.
O papa também declarou que sua presença em Acerra tinha como objetivo "confirmar e encorajar esse impulso de dignidade e responsabilidade que todo coração honesto sente quando a vida nasce e é imediatamente ameaçada pela morte". "Esta terra pagou um alto preço, enterrou muitos de seus filhos e testemunhou o sofrimento de crianças e inocentes", concluiu o pontífice.



