
Lula na 1ª plenária de 2026 do Conselhão no Palácio Itamaraty (Foto: Instagram)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comanda, nesta quarta-feira (10/6), a primeira reunião plenária de 2026 do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão. O encontro será focado no balanço das ações do colegiado desde sua recriação, em 2023.
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A reunião acontece no Palácio Itamaraty, em Brasília, a partir das 10h, e conta com a participação de autoridades do governo, representantes da sociedade civil e do setor empresarial. O colegiado tem a missão de assessorar o presidente na formulação de políticas públicas e diretrizes estratégicas, visando o desenvolvimento do país até 2035.
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Com o tema “Da soberania nacional ao protagonismo global”, a edição deste ano deve discutir, entre outros pontos, a ameaça de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O Metrópoles apurou que o tema deve ser mencionado no discurso de Lula, que provavelmente adotará um tom crítico à medida e reforçará a defesa da soberania do Brasil.
O governo dos EUA está considerando duas possíveis tarifas. A primeira seria uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, baseada em alegadas práticas "irrazoáveis" identificadas em uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). Entre os temas citados estão o Pix, decisões judiciais brasileiras envolvendo grandes empresas de tecnologia e o acesso ao mercado de etanol.
A segunda medida sugere um aumento de 12,5%, alegando que o Brasil não teria adotado medidas legais suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Ambas as investigações têm como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Na última reunião do Conselhão, em dezembro, o ambiente era de distensão nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após a retirada de tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros. Naquela ocasião, o diálogo direto entre Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump, indicava uma possível reconfiguração das relações bilaterais.
Seis meses depois, entretanto, as tensões voltam a ser o foco do debate.
Na reunião de agosto de 2025, o foco foi a imposição de tarifas de 40% pelos EUA e as sanções econômicas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Na ocasião, o colegiado divulgou um manifesto em defesa da soberania nacional e da atuação da Corte.
O CONSELHÃO
Criado em 2003, durante o primeiro mandato de Lula, o Conselhão funcionou por mais de 15 anos até ser extinto em 2019, no início da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com o início do atual governo, o grupo foi recriado. A reunião que marcou o retorno do órgão ocorreu em 4 de maio de 2023.
Os conselheiros e conselheiras — que atualmente somam 286 membros — incluem empresários, sindicalistas, pesquisadores, artistas, líderes de movimentos sociais, formadores de opinião e representantes de diversas áreas de atuação. Entre os membros estão personalidades como a chef de cozinha e apresentadora Bela Gil; a atriz Dira Paes; o influenciador Felipe Neto; o presidente da Febraban, Isaac Sidney; o padre Júlio Lancellotti; a empresária Luiza Helena Trajano, dona do Magazine Luiza; e outros representantes de empresas, sindicatos e organizações.
7ª REUNIÃO
Este será o sétimo encontro do Conselhão desde sua recriação, em 2023. Além de Lula, participam a primeira-dama Janja Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
A reunião também marca a primeira plenária após mudanças no alto escalão do governo, com a saída de ministros para disputar as eleições.
Vinculado à Secretaria de Relações Institucionais (SRI), o colegiado passou por transformações recentes. O ex-secretário-executivo Olavo Noleto — que era cotado para substituir Gleisi Hoffmann na pasta da articulação política — assumiu a presidência da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), sendo substituído por Raimunda Monteiro, ex-reitora da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
Segundo a SRI, além do balanço das atividades, o encontro contará com um painel sobre a agenda internacional do colegiado e os caminhos para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do país.



