Saúde mental é essencial na preparação para a Copa do Mundo

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A mente em campo: a preparação psicológica indispensável para a pressão da Copa (Foto: Instagram)

A Copa do Mundo é frequentemente associada aos gols, celebrações e à paixão que envolve milhões de torcedores. No entanto, para os jogadores, o torneio também representa um dos maiores desafios para a saúde mental. Além da responsabilidade pelos resultados, os atletas enfrentam a expectativa dos fãs, a repercussão nas redes sociais e o medo de errar.

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Nesse contexto, especialistas destacam que cuidar da saúde mental não é mais um diferencial, mas sim parte da preparação para o alto rendimento.

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De acordo com a psicóloga do esporte Aline Wolff, especializada em alta performance sustentável e saúde mental de atletas de elite, o futebol no Brasil vai além do entretenimento.

“O jogador não entra em campo apenas para competir. Ele carrega expectativas emocionais, culturais e históricas de milhões de pessoas”, afirma.

Ela explica que, quando a pressão não é bem gerida, o corpo também sofre. Ansiedade, insônia, tensão muscular e dificuldade de concentração podem afetar diretamente o desempenho nas partidas.

“Um jogador preocupado com a repercussão de um erro já não está no jogo. Ele está no julgamento que vem depois. Isso afeta a tomada de decisão, o tempo de reação, a confiança e a execução técnica”, diz.

A MENTE TAMBÉM PRECISA SER TREINADA
Assim como força física, velocidade e técnica são desenvolvidas na preparação, especialistas defendem que habilidades emocionais também precisam ser trabalhadas continuamente.

A psicóloga clínica Cristiane Pertusi, presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef), explica que hoje já se sabe que desempenho físico e mental caminham juntos.

“A neurociência mostra que o cérebro é treinável. Atenção, controle emocional, tomada de decisão e recuperação após erros podem ser desenvolvidos por meio da prática, assim como a força ou a resistência física”, afirma.

Segundo ela, a pressão extrema altera o funcionamento do cérebro. Quando o atleta acredita que não pode errar ou que uma falha definirá sua carreira, o organismo entra em estado de alerta.

“O excesso de cortisol e adrenalina pode reduzir a flexibilidade cognitiva, prejudicar a atenção e a tomada de decisões. O atleta passa a atuar em modo de autoproteção, e não de máxima performance”, explica.

Os jogadores de futebol têm falado cada vez mais sobre saúde mental, diminuindo o estigma do tratamento. LIDAR COM A PRESSÃO SEM DEIXAR DE COMPETIR
Segundo Cristiane, o objetivo do acompanhamento psicológico não é eliminar a ansiedade, mas ensinar o atleta a conviver com ela sem perder rendimento.

“O diferencial não é não sentir ansiedade. Ela é uma resposta natural. O que diferencia os atletas de alto desempenho é a capacidade de reconhecer essa emoção, regulá-la rapidamente e manter o foco na próxima ação”, ressalta.

Para isso, são utilizadas estratégias como exercícios de respiração, técnicas de atenção plena, visualização de situações decisivas, rotinas antes das partidas e treinamento para recuperar rapidamente a confiança após um erro.

MUDANÇA DE CULTURA EM RELAÇÃO À SAÚDE MENTAL
Nos últimos anos, atletas de diferentes modalidades passaram a falar mais abertamente sobre problemas psicológicos, contribuindo para reduzir o preconceito em relação ao cuidado. Apesar disso, Cristiane afirma que ainda existe resistência em parte do meio esportivo.

“Muitos atletas foram educados na cultura de que precisam ser fortes o tempo todo e esconder o sofrimento emocional. Felizmente, essa visão vem mudando. Hoje, cresce o entendimento de que o desempenho sustentável depende do equilíbrio entre preparo físico, técnico e psicológico”, afirma.

Aline concorda e defende que a saúde mental passe a receber a mesma atenção dedicada aos demais aspectos da preparação.

“Existe uma romantização da força mental no esporte, como se atletas precisassem suportar tudo sem sentir nada. Mas estamos falando de seres humanos submetidos a níveis extremos de cobrança emocional. Não existe alta performance sustentável sem saúde mental”, conclui.

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