
Painel debate inovação e competitividade na segunda edição do Brasil Industrializado (Foto: Instagram)
"Se hoje vemos carros híbridos e elétricos nas ruas, é graças a esses investimentos que impulsionam novas rotas tecnológicas e aumentam a competitividade da indústria brasileira." Com essas palavras, Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, destacou como a Nova Indústria Brasil (NIB), lançada em 2024, está modernizando a indústria nacional.
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A NIB já alcançou cerca de R$ 750 bilhões em linhas de crédito para modernizar a indústria. No campo da inovação, o volume de operações contratadas aumentou em 321% entre 2023 e 2025, em comparação com o período de 2019 a 2022.
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Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (2/7), em Brasília, durante a segunda edição do evento Brasil Industrializado – Inovação, Produtividade e Competitividade para a Nova Indústria, promovido pelo Metrópoles em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
O evento contou com a participação de representantes da ABDI, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra).
Entre 2023 e 2026, está previsto um investimento de mais de R$ 50 bilhões em inovação e tecnologia. Já foram contratados bilhões em projetos distribuídos entre as missões da Nova Indústria Brasil.
Um dos destaques mencionados por Uallace Moreira é o Programa de Mobilidade Verde, que já atraiu mais de R$ 190 bilhões em investimentos privados para novas rotas tecnológicas de descarbonização.
Para o assessor especial da presidência da ABDI, Jackson de Toni, o Brasil está passando por uma reestruturação industrial com apoio significativo de políticas públicas.
"Nós temos números muito positivos na economia brasileira recente. No ano passado, por exemplo, atingimos a marca de 350 bilhões de dólares em exportações", afirmou ele.
Ele ressaltou a necessidade de garantir a efetividade das políticas públicas. "O maior desafio é aprofundar a política industrial e assegurar que seus instrumentos cheguem de forma eficaz às empresas, gerando emprego, renda e desenvolvimento regional."
Para isso, o MDIC, em parceria com a ABDI, lançou uma plataforma para facilitar o acesso ao crédito pelas empresas. O Investe Indústria Brasil reúne em um único ambiente digital as principais linhas de financiamento do BNDES, Finep e Embrapii voltadas ao setor produtivo. Na primeira fase, a plataforma receberá projetos relacionados às cadeias agroindustriais, com foco em fertilizantes.
O objetivo é reduzir a burocracia e facilitar o acesso das empresas aos programas disponíveis. Segundo Jackson De Toni, a ferramenta organiza a demanda das empresas e conecta os projetos às instituições financeiras.
Apesar dos avanços no crédito e na inovação, representantes do setor produtivo alertaram que a produtividade continua sendo um dos principais desafios da indústria brasileira.
O gerente de Negócios de Inovação e Tecnologia do Senai, Maicon Lacerda, afirmou que a produtividade no Brasil ainda é cerca de metade da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Ele destacou que a falta de mão de obra qualificada limita o progresso do setor. "A formação de pessoas é um grande gargalo no Brasil. Muitas empresas querem inovar e aumentar a produtividade, mas não encontram profissionais com a qualificação necessária."
A gerente de Desenvolvimento e Inovação Industrial da CNI, Paula Nardai, concordou que a falta de mão de obra ainda é um dos principais desafios do setor.
Para complementar, Diones Cerqueira, assessor econômico da Fibra, ressaltou que o problema é sentido diretamente pelas empresas. "O empresário sente na prática essa falta de profissionais qualificados. Muitas vezes ele quer investir, mas não encontra equipes preparadas para sustentar esse crescimento."
Ele defendeu uma maior integração entre políticas públicas, empresas e instituições de ensino. "Precisamos conectar melhor as políticas públicas, as instituições de ensino e as empresas, para garantir que a formação esteja alinhada com a realidade da indústria."
A inteligência artificial foi um dos principais temas do debate e é vista como uma das principais apostas da política industrial para os próximos anos.
Segundo Uallace Moreira, o governo está trabalhando para posicionar o Brasil como um destino de grandes investimentos em infraestrutura digital, aproveitando vantagens competitivas como a matriz energética predominantemente limpa.
"O Brasil tem uma vantagem competitiva que poucos países no mundo têm. Nós temos uma matriz energética e elétrica limpa que nenhum país no mundo tem", afirmou.
Para isso, o governo criou o programa Redata, atualmente em tramitação no Congresso Nacional, que prevê incentivos fiscais para instalação de data centers.
O secretário destacou que o objetivo não é apenas atrair investimentos, mas também desenvolver a cadeia produtiva nacional.
Além da política industrial geral, o governo também tem ampliado iniciativas de transformação digital em setores específicos, como a construção civil.
O MDIC e a ABDI lançaram o programa Construção 4.0 – BIM na Prática, que leva consultoria especializada para pequenas e médias empresas do setor implementarem a metodologia BIM (Building Information Modeling).
O projeto-piloto prevê investimento de R$ 1,9 milhão e deve atender até 60 empresas em oito estados: Rondônia, Bahia, Ceará, Pernambuco, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, com execução prevista até 2027.
A iniciativa oferece acompanhamento técnico individualizado, diagnóstico de maturidade digital e planos de implantação da metodologia, que integra projetos, cronogramas e orçamentos em um modelo digital único.
Segundo a ABDI, o objetivo é aumentar a produtividade, reduzir retrabalho e acelerar a adoção de tecnologias digitais no setor, especialmente entre pequenas e médias empresas.







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